Os fornecedores asiáticos derrubaram os fabricantes brasileiros e conquistaram 51,4% das importações
Barreiras comerciais fizeram o Brasil perder a liderança histórica que detinha no mercado argentino de calçados importados. Os fornecedores asiáticos, principalmente chineses, derrubaram os fabricantes brasileiros para a segunda posição e conquistaram 51,4% das importações de janeiro a agosto. Em apenas dois anos, deu-se uma reviravolta: o Brasil perdeu 12 pontos percentuais no mercado local e a Ásia ganhou praticamente 14 pontos.
Um acordo entre os dois sócios do Mercosul estabelece teto de 15 milhões de pares de exportações brasileiras ao país vizinho em 2009, mas nem esse limite está sendo respeitado, segundo Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados, associação que reúne as indústrias do setor. "Mesmo em um ano de crise, temos potencial para vender 30 milhões de pares. Até setembro, não chegamos nem à metade disso".
Nos oito primeiros meses do ano, os fornecedores brasileiros viram sua fatia no mercado argentino encolher para 44,5% (em volume), de acordo com a IES, consultoria de Buenos Aires especializada em estudos setoriais. O recuo impressiona quando comparado à participação obtida em período semelhante de 2007 e 2008, que foi de 56% e de 49%, respectivamente.
Para um auxiliar direto do presidente Lula, os dados são "uma evidência clara" de desvio de comércio em prejuízo dos calçadistas brasileiros. Ele não acredita que a volta do crescimento melhore esse ambiente e desconfia das promessas argentinas de cumprimento do acordo. Essa fonte defende que o governo responda com a mesma moeda e imponha licenças não automáticas às exportações argentinas de produtos como vinhos e laticínios. O Itamaraty resiste a essa proposta.
O economista Alejandro Ovando, diretor-geral da IES, diz que as travas impostas às importações de calçados afetaram "fundamentalmente" o Brasil e tiveram "escasso impacto" sobre os sapatos, tênis e sandálias de origem asiática. "Os números não mentem", diz Ovando.