A retomada das ofertas de ações, iniciais ou não, é uma boa notícia também para os acionistas da BM&FBovespa
Os novos papéis do Santander Brasil estreiam na BM&FBovespa como primeiras candidatas a "blue chip" (ações de primeira linha) desde 2004, na maior oferta já realizada no mundo neste ano.
O Santander captou R$ 14,1 bilhões em sua oferta, com os papéis vendidos a R$ 23,50, no centro do intervalo sugerido, que variava de R$ 22 a R$ 25. A colocação é de units, cada uma formada por 55 ações ordinárias (com direito a voto) e 50 preferenciais (sem voto). A quantidade de ações em circulação no mercado será de 18%. Pelo fechamento de ontem do dólar (R$ 1,7533), a oferta somou US$ 8 bilhões e superou a colocação da China State Construction Engineering, que atraiu US$ 7,3 bilhões em julho.
Segundo apurou o Valor, no topo da faixa sugerida pelo Santander, de R$ 25, a procura pelos papéis superava a oferta em duas vezes. Na casa dos R$ 23, a demanda chegava a três vezes e meia. Assim, a ação chega à bolsa com espaço para alta. A leva atual de operações mostra a predominância de ofertas de maior porte, com captações acima dos R$ 600 milhões - nenhuma, até agora , ficou abaixo desse valor.
A retomada das ofertas de ações, iniciais ou não, é uma boa notícia também para os acionistas da BM&FBovespa. Se 2009 não repetirá o boom de 2007 em número de ofertas, operações de maior porte podem ser capazes de estimular mais os ganhos da empresa bolsa do que muitas operações pequenas. Elas tendem a ser mais líquidas, ou seja, gerar mais negócios, motor de crescimento das receitas de uma bolsa de valores.
Ofertas grandes e de empresas conhecidas também contribuem para atrair novos investidores para o mercado. Nas colocações de BM&F e Bovespa, a adesão de pessoas físicas quebrou recordes. No mercado, estima-se que, no primeiro dia, um papel gira entre 30% e 40% do volume da oferta - o Santander pode negociar hoje, sozinho, cerca de R$ 4,2 bilhões. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,48%, aos 62.670 pontos, a maior pontuação desde 1º de julho de 2008.
Os países emergentes dominaram o mercado de ofertas públicas iniciais no terceiro trimestre, com a China na liderança, e provavelmente vão continuar a dar as cartas no futuro próximo. Houve 149 aberturas de capital, 82% entre os emergentes.