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Recuperação rápida atrai captações e sustenta bolsa


    Cristiane Perini Lucchesi, Luiz Sérgio Guimarães e Sergio Lamucci, de São Paulo
    15/10/2009
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Investidores externos estão despejando bilhões de dólares na bolsa e a levaram aos 66.201 pontos, apenas 11% do recorde

A rápida recuperação da economia brasileira abriu todas as portas fechadas pela crise. Os investidores externos estão despejando bilhões de dólares na bolsa e a levaram aos 66.201 pontos, a melhor marca desde 19 de junho de 2008, a apenas 11% do recorde de 73.516 pontos. O apetite estrangeiro também fez deslanchar as captações externas e levou a rolagem da dívida de volta aos confortáveis 220%. Com mais dólares entrando também por meio das ofertas de ações, a moeda americana fraqueja diariamente. Ontem, chegou a R$ 1,7030, menor cotação desde 3 de setembro de 2008. O recuo sugere discreta mudança de expectativas sobre o comportamento da inflação e dos juros futuros. Afinal, o dólar baixo torna as importações baratas.

A Odebrecht encerrou captação externa de US$ 500 milhões por meio de eurobônus de dez anos, pagando rendimento de 7,25% ao ano, o menor de sua história. Isso um dia depois de o Banco do Brasil ter obtido US$ 1,5 bilhão em dívida subordinada. Além disso, a Odebrecht assinou com bancos empréstimo sindicalizado de US$ 1,3 bilhão, o maior do ano, para a construção de plataformas de petróleo no exterior.

"A demanda pelos papéis do Brasil pegou fogo", diz Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais do HSBC. "O mercado externo tem proporcionado oportunidade única neste momento para as empresas e bancos brasileiros alongarem suas dívidas. E prazos longos são ideais para investimentos", diz Alexander Severino, diretor-gerente para os mercados de dívida da América Latina do Citigroup.

A perspectiva otimista em relação ao Brasil se estende ao longo prazo. "É muito possível que o crescimento potencial do Brasil esteja aumentando", avalia Jim O'Neill, chefe de pesquisa econômica do Goldman Sachs e criador do conceito dos Bric. "Nossa premissa era que o Brasil cresceria na próxima década entre 4% e 4,5%. Dependendo do que o ocorrer na próxima eleição, é possível que o país esteja entrando num período em que pode crescer mais de 5% por muitos anos". (Com Angelo Pavini e Adriana Cotias).

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