Os bancos estão de olho nos novos ricos que devem surgir com a retomada do crescimento econômico
O segmento de gestão de fortunas (private banking) brasileiro está agitado com a saída do líder mundial UBS, a entrada de novos participantes como Goldman Sachs e Morgan Stanley e a retomada de velhos protagonistas como o JP Morgan. Os bancos estão de olho nos novos ricos que devem surgir com a retomada do crescimento econômico e com a nova onda de ofertas públicas de ações. A estimativa de um banco de investimentos é de que 30 ofertas de ações ocorram nos próximos 18 a 24 meses, entre as quais várias de empresas familiares.
Além disso, o crescimento do país e a entrada de investidores estrangeiros devem ampliar operações de compras e fusões de empresas. Só o Itaú Unibanco trabalha com 26 operações desse tipo para clientes do private, diz Celso Scaramuzza, diretor-geral do segmento de gestão de fortunas da instituição. Além desses fatores, há a expectativa da aprovação da anistia para recursos não declarados no exterior. Isso poderia dobrar o volume hoje investido em privates, de R$ 300 bilhões.
O mercado de private passa por um momento de ebulição, diz Celso Portásio, diretor geral de private banking do JP Morgan Brasil. As taxas de juros dos CDBs caíram, os clientes estão procurando mais orientação para diversificação e o mercado perdeu um participante importante com a saída do UBS. Além disso, há os processos de fusão dos grandes bancos como Itaú e Unibanco e Santander e Real. "Esses processos sempre criam desconforto para alguns clientes", diz Portásio. Grandes bancos locais, como Banco do Brasil e Bradesco, também querem ganhar espaço nessa área e devem assediar os milionários dos concorrentes.
Segundo Portásio, o private local do JP Morgan teve a vantagem de que sua matriz não foi tão afetada pela crise internacional. No Brasil, a proposta do banco é ambiciosa: ser o maior estrangeiro no mercado local de private. Isso inclui a abertura de três novos escritórios, além dos quatro atuais em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte, e a redução do valor mínimo exigido para os potenciais clientes do banco. Já o líder do setor, o Itaú Unibanco, espera crescer 20% neste ano e no próximo, diz o responsável pela área, Celso Scaramuzza.