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Internet: Companhia monta rede de parceiros para vender software

Mercado empresarial entra no alvo do Google


    Gustavo Brigatto, de São Paulo
    17/11/2009
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Gustavo Lourenção/Valor
Foto Destaque
José Nilo Cruz Martins, diretor do Google Empresas: aposta no conceito de computação em nuvem, que dispensa instalação dos programas no PC do usuário

Em apenas uma década, o Google passou de um projeto dos universitários Larry Page e Sergey Brin para o posto de maior empresa da internet. A companhia, que no ano passado atingiu um faturamento de US$ 21 bilhões, domina o bilionário mercado de busca na web e tornou-se uma estrela de Wall Street, com ações negociadas, ontem, a mais de US$ 576.

Como toda empresa, no entanto, o Google começa a enfrentar um desafio próprio do amadurecimento de seu negócio. Com suas atividades originais em desaceleração - estima-se que o crescimento da companhia, que foi de 31% em 2008, ficará em 4% neste ano -, a companhia precisa encontrar novas fontes de receita. O caminho parece claro: aumentar a presença no mercado empresarial, área em que o Google esteve pouco presente até agora.

"É muito grande o esforço que temos feito no mercado de empresas do ponto de vista de infraestrutura, modelo de negócios e melhoria de nível de serviços", diz Alex Dias, responsável pela operação do Google no Brasil. Hoje, menos de 3% da receita da companhia vem das vendas para empresas. O grosso do faturamento (97%) é decorrente da venda de publicidade em seus diferentes produtos e na rede de sites parceiros.

"Eles estão vindo para ganhar dinheiro com as empresas", afirma Alexandre Otto, diretor da IPconnection, integradora de sistemas que acaba de entrar no programa de canais criado pelo Google para levar uma de suas ofertas ao público empresarial, o pacote de aplicativos Google Apps.

Concorrente do Office, da Microsoft, e do Lotus, da IBM, o Apps reúne programas de e-mail, processador de texto, planilha eletrônica e de apresentação. A grande diferença é que os programas podem ser acessados pela internet no conceito de computação em nuvem, que não exige a instalação de sistemas no computador do usuário.

A pergunta é se a companhia conseguirá repetir o sucesso que teve entre os consumidores, conquistando a confiança das empresas, cujos requisitos de segurança e estabilidade são mais rigorosos. Segundo José Nilo Cruz Martins, diretor do Google Empresas, a escolha do modelo indireto de vendas - baseado em parceiros especializados - é uma das respostas a essa pergunta. "São os integradores que conhecem o processo e as necessidades das empresas. Isso não quer dizer que não manteremos contato direto com o cliente quando ele precisar", diz.

O Google acelerou o passo no anúncio de novas funcionalidades para o Apps. Já é possível, por exemplo, fazer a mudança de sistemas da Microsoft para os do Google automaticamente. No exterior, a empresa resolveu comprar espaço publicitário em veículos de comunicação tradicionais como o jornal "The New York Times" e as revistas "Forbes" e "The Economist" para promover o Google Apps. No Brasil, a ideia é fazer apresentações especiais a parceiros e clientes. "A oferta está madura", diz Martins.

De acordo com o executivo, o programa de canais começou a ser testado no Brasil e na Índia no ano passado e agora está sendo estendido para outros mercados. Sete empresas brasileiras estão se juntando à lista de parceiros, que já conta com a Spread. São elas Dedalus, IPConnection, Medcenter, Setesys, Telsinc, Valuenet e Vertax. Uma oitava companhia deve fechar acordo em breve.

O pacote Google Apps para as empresas brasileiras custa entre US$ 75 e US$ 85 ao ano por usuário com impostos. O modelo de receita para os integradores é o tradicional no mercado: receita com serviços e aplicações e uma porcentagem sobre as licenças vendidas. Uma versão gratuita com menos funções está disponível para empresas com até 50 funcionários. Escolas e universidades públicas e instituições sem fins lucrativos também têm acesso a uma versão gratuita.

O Apps foi lançado em 2007 e conta hoje com mais de dois milhões de clientes e 20 milhões de usuários entre contas pagas e gratuitas, segundo o Google. Jefrey Lindsay, analista do banco Sanford C. Bernstein, estima que o Apps gerará US$ 140 milhões em vendas para o Google este ano, cerca de 0,5% de sua receita total.

De acordo com Maurício Fernandes, presidente da Dedalus, a expectativa é de que 45% do faturamento da empresa venha de negócios com os sistemas do Google já em 2010. "Mudamos o nosso posicionamento como empresa por conta dessa parceria", diz o executivo. Segundo ele, a empresa já assinou seis contratos de Google Apps e adotou o sistema internamente. "Gostamos tanto da ideia que já estamos usando [o modelo]", comenta. Sanjay Agarwal, presidente da Valuenet, afirma que a migração para os sistemas do Google é fácil, já que não requer muitos ajustes de sistemas, o que auxilia no processo de venda.

Mas o modelo de computação em nuvem não joga a favor apenas do Google.

"Todos os sistemas que não são cruciais para as empresas, como o e-mail, serão colocados na nuvem", diz Pedro Bicudo, da TGT Consult. Sabendo disso, IBM e Microsoft também têm seguido este caminho. No mês passado a IBM anunciou o Lotus Live iNotes, versão na nuvem de seu sistema de e-mail. O preço é mais baixo que o do Apps -US$ 44 -, mas o pacote não oferece os aplicativos de escritório, só e-mail. Já a Microsoft tem o Microsoft Business Productivity Online Suite (BPOS), que custa US$ 60 ao ano e também oferece uma versão gratuita do pacote Office pelo site Office Live. Para o ano que vem, a companhia promete mais novidades, com o lançamento da versão 2010 do programa.

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