Bovespa retoma os 54 mil pontos com ajuda de estrangeiros
Valor Online
23/07/2009 18:20
SÃO PAULO - Depois de uma breve pausa na quarta-feira, a Bolsa de Valores São Paulo (Bovespa) retomou o movimento de alta iniciado na semana passada e reconquistou os 54 mil pontos perdidos no começo de junho. Ao final do pregão, o Ibovespa apontava alta de 2,22%, aos 54.249 pontos. Atenção para o giro financeiro de R$ 7,26 bilhões, o maior desde 28 de maio para dias sem vencimento de opções e índice futuro.
Com tal pontuação, o índice garante valorização de 4,18% na semana até agora e eleva o ganho acumulado em 2009 a 44,47%.
Segundo o diretor da InTrader, Edson Hydalgo Júnior, as compras foram patrocinadas pelos balanços trimestrais e dados econômicos acima do esperado nos Estados Unidos. "Tudo leva os agentes a crer que a recuperação da economia vai ser mais rápida do que o previsto. O que é positivo para a bolsa."
O pregão tomou forma depois que a Associação dos Corretores de Imóveis dos Estados Unidos mostrou que a venda de casas usadas naquele país subiu 3,6% em junho, superando o previsto, para 4,89 milhões de unidades na taxa anualizada, maior patamar desde outubro do ano passado.
Pelo lado do mercado de trabalho, o número de americanos que foi em busca de seguro-desemprego subiu na semana passada, mas a quantidade de desempregados que continua recebendo o benefício voltou a cair.
Notícias positivas também no mercado de trabalho doméstico. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a taxa de desemprego caiu para 8,1% em junho, surpreendendo os analistas que previam estabilidade na casa de 8,8%. A melhora aconteceu tanto pela menor perda de vagas quanto pelo aumento da população ocupada.
Voltando o foco para a Bovespa, Júnior acredita em alguma realização de lucro no curto prazo, com os agentes embolsando parte da alta de 11% acumulada nos últimos 7 dias.
"Devemos ver uma correção até os 52 mil a 52,5 mil pontos, com o mercado tomando fôlego para buscar os 57.500 pontos", explica o diretor, apontando que a próxima resistência à alta está na linha dos 55 mil pontos. Na máxima de hoje, o índice testou 54.628 pontos.
Ainda de acordo com Júnior, o elevado volume negociado e a presença de corretoras estrangeiras na compra evidenciam que os estrangeiros ampliaram suas posições em papéis brasileiros.
Dados da própria bolsa mostram que esses agentes mudaram de postura e, em apenas cinco dias, compraram mais de R$ 2,37 bilhões na Bovespa. Com isso, o saldo de negociação direta passou para o terreno positivo. No acumulado do mês até o dia 20, as compras ultrapassavam as vendas em R$ 232 milhões. Vale lembrar que, no mês até o dia 14, a conta estava negativa em R$ 2,13 bilhões.
No front corporativo, Petrobras PN liderou o volume, subindo 2,24%, para R$ 32,40. Contribuindo para a alta, o WTI fechou acima dos US$ 67 o barril, maior preço em três semanas. Já o papel PNA da Vale registrou alta de 2,40%, a R$ 31,90.
Com o terceiro maior volume do dia, o papel PN do Itaú Unibanco, subiu 3,97%, para R$ 33,99. Ainda entre os bancos, Bradesco PN e Banco do Brasil ON subiam mais de 2% cada, para R$ 29,88 e R$ 22,70, respectivamente.
Entre os mais negociados, o papel ON da BRF Brasil Foods teve leve valorização de 0,02%, a R$ 40,00. Entre máxima e mínima o ativo oscilou, apenas R$ 0,35. Começaram a ser negociadas hoje as 115 milhões de ações vendidas em oferta primária, a R$ 40 cada.
Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA reverteu as perdas da abertura e subiu 3,58%, a R$ 43,00. Os investidores passavam por cima da queda de 63% no lucro líquido do segundo trimestre, que somou R$ 368 milhões. Segundo Junior, o papel ganhou valor devido à expectativa de retomada de produção no segundo semestre. Ainda no segmento, Gerdau PN teve valorização de 2,21%, a R$ 22,15.
Ganhos expressivos também na segunda linha. Gafisa ON saltou 7,85%, para R$ 22,80, Lojas Renner ON teve acréscimo 4,71%, a R$ 25,77, e Cosan ON avançou 4,51%, para R$ 16,20.
Fora da festa apenas 9 dos 65 ativos listados. Entre eles, Embraer ON caiu 1,18%, para R$ 8,31. Celesc PNB cedeu 0,91%, a R$ 33,69, Sabesp ON teve baixa de 0,90%, a R$ 27,50, e Souza Cruz ON mostrou desvalorização de 0,80%, a R$ 61,50. A venda desses três últimos papéis sinaliza a maior propensão ao risco do investidor, pois são tidos, tradicionalmente, como ativos de proteção.
Dia de ganhos expressivos também em Wall Street, onde o Dow Jones subiu 2,12%, para 9.069 pontos, fechando acima dos 9 mil pontos pela primeira vez desde janeiro. O S & P 500 teve alta de 2,33%, para 976 pontos, maior patamar desde 4 de novembro. E o Nasdaq avançou 2,45%, a 1.973 pontos, marcando o 12º dia de valorização.
(Eduardo Campos | Valor Online)