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Interesse em controle frustrou acordo entre Bradesco e Porto Seguro


    Valor Online

    24/08/2009 17:35

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SÃO PAULO - Uma intenção do Bradesco em ficar com o controle acionário da Porto Seguro pode ter motivado o fracasso das negociações para uma associação entre os dois conglomerados. Foi o que deu a entender, hoje, o presidente da Porto Seguro, Jayme Brasil Garfinkel, que anunciou uma parceria, na qual será majoritário, com o Itaú Unibanco.

"Nós tínhamos uma construção de uma governança onde queríamos uma forma de controle sobre as operações de ramos elementares e o Bradesco entendia de outra forma", disse Garfinkel, após ser questionado sobre o que teria dado errado nas negociações com o banco.

Diante do insucesso com o Bradesco - Garfinkel admitiu que foi ele que procurou o banco -, a Porto Seguro passou a negociar com o Itaú Unibanco. Após uma reunião ocorrida no último dia 14, com Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, Garfinkel disse ter ficado "encantado" com a visão dos dois banqueiros sobre a parceria que acabou sendo fechado em menos de duas semanas.

"O Itaú Unibanco reconheceu a forma como queríamos conduzir o negócio. Foi muito simples e razoável", disse o presidente da Porto Seguro. "Houve uma identidade de valores, de como se faz uma parceria", afirmou Setubal.

Apesar de não apresentar cláusulas prevendo o aumento de participação futura de ambas as partes, a sociedade prevê direito de preferência para o Itaú Unibanco caso os controladores da Porto Seguro decidam sair do negócio. O mesmo vale para o caso de o banco desistir da parceria.

A associação com o Itaú Unibanco, fechada após negociação frustrada com o Bradesco, deixa clara a estratégia da Porto Seguro de buscar no balcão de um grande banco de varejo a expansão dos seus negócios.

Com a carteira do Itaú Unibanco, a seguradora passará a ter R$ 2,32 bilhões em prêmios auferidos de seguros de automóveis, 45% a mais que antes do negócio. Os prêmios de seguros residenciais passarão de R$ 41 milhões para R$ 198 milhões e o patrimônio líquido de R$ 2,10 bilhões para R$ 3,05 bilhões.

Os executivos informaram que as marcas dos seguros permanecerão as mesmas - Itaú Unibanco, Porto Seguro e Azul -, mas não descartaram uma integração maior dos produtos no futuro.

(Murillo Camarotto | Valor Online)





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