México está saindo da recessão, mas recuperação ainda é lenta
Associated Press
20/11/2009 20:18
CIDADE DO MÉXICO - O aumento dos preços do petróleo e o crescimento das exportações estão lentamente tirando a economia mexicana de uma severa recessão, mas o sistema financeiro nacional ainda enfrenta desafios, afirmam especialistas.
" Nós estimamos que em 2010 a economia mexicana crescerá cerca de 3%, afirmou o vice-ministro de Finanças, Alejandro Werner. Em 2009, o país deverá apresentar uma retração de 7,5%, estima.
O governo mexicano divulgou na noite desta sexta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 6,2% no terceiro trimestre, contra baixa de 10,1% no segundo trimestre.
No entanto, o economista Joseph Stiglitz, vencedor do prêmio Nobel, afirmou recentemente que o governo mexicano não está percebendo graves deficiências em seu sistema econômico, como monopólios e o apertado plano de gastos do orçamento. " A combinação de uma recuperação muito fraca da economia nos Estados Unidos e de uma política fiscal que não estimula a economia mexicana é assustadora " , disse Stiglitz em um evento no início da semana.
O país, que gera receitas com a produção de petróleo, exportações e turismo, foi seriamente afetado pela gripe suína (H1N1), que afastou os turistas de seus famosos resorts de praia. E a crise econômica nos Estados Unidos fez os consumidores pararem de comprar produtos de fora, inclusive do México, que direciona 80% de suas exportações ao país vizinho.
Mas o México também planejou fazer o hedge dos preços do petróleo para proteger as receitas que financiam cerca de 40% do gasto público. Políticas fiscais, sistemas bancários robustos e estoques elevados de reservas internacionais ajudaram a conter os danos da crise financeira mundial no México e em outros países da América Latina, observa Luís Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
" A América Latina sentiu toda a força da queda do mercado mundial " , disse Moreno. " Mas ao contrário de crises anteriores, agora essas quedas não precisam se traduzir em décadas perdidas " .
Analistas afirmam que a recuperação é um sinal de que o governo aprendeu melhores maneiras de lidar com problemas econômicos desde o estouro da " Crise Tequila " , em 1995, quando o país desvalorizou sua moeda e a inflação disparou.
" Há maior disciplina e coordenação, que estavam ausentes no passado " , disse Alfredo Coutino, diretor da Moody ? s Economy na América Latina. Entretanto, ele observou que o país está indissociavelmente ligado aos Estados Unidos. " Toda vez que os Estados Unidos caem, eles puxam o México para baixo. O México está em recuperação, mas ela está muito lenta " , disse Coutino. " Ela está fraca e continuará fraca, porque a recuperação depende essencialmente da demanda externa, por causa da pouca expressividade do mercado doméstico. "
O presidente do México, Felipe Calderon, declarou no início do mês que a recessão oficialmente terminou. Ele também afirmou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos no pior momento da crise machucaram o México. " O protecionismo está matando as companhias americanas. "
No início deste ano, Calderón prometeu 2 bilhões de pesos (US$ 147 milhões) para ajudar os fabricantes de automóveis do México e de outras empresas em dificuldades e evitar grandes demissões.
(Associated Press)