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Crise se agrava e governo age
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Crise se agrava e governo age


    De São Paulo e Brasília
    23/10/2008
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O Brasil teve ontem um de seus piores dias desde que a crise financeira se agravou. Apesar das intervenções do Banco Central, o dólar subiu muito de novo - 6,67%, para R$ 2,38 - e já avançou 25% no mês. Os juros no mercado futuro dispararam, especialmente nos contratos mais longos, com investidores mais preocupados em zerar posições do que em antecipar os movimentos da política monetária. O risco-Brasil deu um salto de 26,6%, para 671 pontos. A Bolsa perdeu 10,18%, após ser acionado uma vez o "circuit breaker". Os mercados começaram em queda desde a manhã, quando o governo anunciou a Medida Provisória nº 443, que abre aos bancos oficiais a possibilidade de comprar participações acionárias em instituições financeiras privadas.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, qualificou a medida como preventiva. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não há bancos quebrando, mas admitiu que continuam os problemas de liquidez em algumas instituições. A Fazenda enviou ontem ao presidente Lula proposta de isenção de IOF em operações de câmbio para ingresso de recursos de investidor estrangeiro nos mercados financeiro e de capitais e também nas operações de câmbio para ingresso e saída de recursos do país referentes a empréstimos e financiamentos realizados a partir de 23 de outubro.

A escassez de linhas externas se agravou e o saldo do fluxo cambial até o dia 17 era negativo em US$ 3,751 bilhões. Houve saída líquida de US$ 5 bilhões pelo câmbio financeiro, um déficit que geralmente é coberto pelo saldo comercial. O problema agora é que não só as linhas para a exportação foram significativamente reduzidas - em 55%, até o dia 10, se consideradas as médias diárias do mesmo período de setembro -, como os exportadores não estão comparecendo com vigor com os dólares decorrentes do câmbio não financiado. Até o dia 17, eles somaram US$ 4,7 bilhões, ante US$ 9,9 bilhões em setembro e US$ 5,5 bilhões no mesmo período de outubro do ano passado. A soma desses dois movimentos mostrou que o câmbio comercial de exportação atingiu no período US$ 7,5 bilhões, ante US$ 19,2 bilhões em setembro e US$ 10,2 bilhões de outubro de 2007.

A interrupção das linhas externas, do fluxo de dinheiro e a crise financeira se refletiram no rápido encolhimento do crédito. O financiamento bancário caiu nos primeiros dias do mês, enquanto se agravava a crise. O volume de operações para pessoas físicas caiu 13% nos oito primeiros dias do outubro, na comparação com o mesmo período de setembro. Para as empresas, a redução foi de 12,8%. O volume de crédito, até o dia 10, encolheu 0,2% - expurgada a desvalorização cambial de 19,5% no mês, que distorce o resultado.

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