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CVM analisa dados sobre derivativos divulgados por empresas no 3º trimestre
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Governança:

CVM analisa dados sobre derivativos divulgados por empresas no 3º trimestre


    Ana Paula Ragazz, de São Paulo
    27/11/2008
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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está abrindo uma série de investigações internas para verificar a divulgação de informações pelas companhias abertas a respeito de operações realizadas com derivativos.

Segundo apurou o Valor, a autarquia está fazendo uma espécie de filtragem nos informes do terceiro trimestre, para verificar se todas as companhias cumpriram adequadamente a Deliberação 550, de 17 de outubro, em que a CVM exigia que os ITRs trouxessem informações mais abrangentes e detalhadas sobre os instrumentos financeiros derivativos. Procurada pelo Valor, a CVM não comentou o assunto.

No site da autarquia, é possível identificar processos para análise de informações trimestrais de diversas companhias, desde a Vicunha Têxtil, que já admitiu perdas de R$ 90 milhões com essas operações, até a Grendene, que divulgou que possuía aplicações de renda fixa no Lehman Brothers, banco americano que foi à falência em setembro ampliando a gravidade da crise atual. A empresa do setor calçadista realizou uma provisão de R$ 7,4 milhões por conta dessas aplicações.

Também estão sendo verificadas as informações divulgadas por empresas como Embraer, Sadia, Coteminas e Springs Global - esta última teve seu resultado afetado por operações cambiais e com derivativos, mas sem alavancagem e com exposição a esse tipo de instrumento muito pequena e condizente com suas atividades, de receitas atreladas à moeda americana.

Ou seja, estão sendo avaliadas as informações divulgadas por vários tipos de companhias.

A intenção da autarquia, de acordo com fontes, é avaliar se os dados divulgados estão suficientemente claros. A CVM também deseja mapear a real exposição das empresas brasileiras aos instrumentos financeiros derivativos. Em princípio, nesse momento de análise dos ITRs, as empresas não serão notificadas.

Uma das recomendações da deliberação de outubro, e que não teria sido atendida por todas as companhias, é a divulgação de análises de sensibilidade das posições em instrumentos derivativos, traçando cenários para o comportamento do dólar e potenciais perdas. Dessa forma, o mercado poderia ter referenciais concretos para a avaliação do risco trazido pelas posições assumidas pelas empresas.

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