Valor, que é mais do que o dobro previsto, estará disponível para os próximos dois anos para reverter queda nas exportações e importações
O G-20 prepara um pacote de financiamento ao comércio internacional estimado em US$ 250 bilhões para reverter a dramática queda nas exportações e importações. Esse valor, que estará disponível para os próximos dois anos, é mais que o dobro do que previa o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
O Banco Mundial anunciou aporte de US$ 50 bilhões, o Japão, de US$ 22 bilhões e os EUA já haviam acenado com US$ 100 bilhões. Na União Europeia, a contribuição virá de cada país individualmente. Bancos regionais de desenvolvimento também farão empréstimos, entre eles, possivelmente, o BNDES.
A falta de crédito para as trocas comerciais, um dos principais problemas da crise atual, aumenta mês a mês. Passou de US$ 25 bilhões no fim do ano passado para US$ 300 bilhões agora. A queda livre no comércio mundial foi ilustrada ontem com nova projeção da OCDE, de contração de 13,2% neste ano. Depois de ter crescido em média 8% nos últimos anos, as exportações e importações entraram em colapso no último trimestre de 2008. Para o primeiro trimestre deste ano, a previsão é de queda de 22,7%. A OCDE estima que a tendência pode mudar no fim do ano e prevê "recuperação robusta" em 2010, graças ao crescimento de emergentes como China, Índia e Brasil.
A China chega fortalecida à reunião do G-20, como um dos poucos países a manter bom desempenho econômico em meio à dramática recessão global. Segundo a OCDE, enquanto nas economias avançadas a retração chegará a 4,3%, a situação será diferente nos grandes emergentes: a China deve crescer 6,3% e a Índia, 4,3%. O Brasil sofreria contração de 0,3%, mas já há sinais de recuperação, que poderá se confirmar a partir do último trimestre. Entre os Bric, o problema é a Rússia: a economia está em colapso, o governo torra as reservas e o PIB deve cair 5,6%.
O relatório da OCDE vê sinais de que o pior já pode ter passado e a retomada está à vista, sobretudo na China. Apesar disso, analistas alertam que a China não tem força para tirar o mundo da recessão. Só 30 milhões de chineses têm renda igual ou superior à média dos americanos, em comparação com 200 milhões na Europa e 45 milhões no Japão.