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Brasil estuda retaliação comercial à Argentina


    Daniel Rittner e Claudia Safatle, de Brasília
    01/07/2009
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Ao mesmo tempo em que vê a exportação brasileira diminuir 44%, governo constata avanço dos chineses naquele mercado

Encerradas as eleições legislativas na Argentina, o governo brasileiro retomou a discussão para uma ofensiva contra o protecionismo do país vizinho, contrariado com a redução do comércio bilateral. Ao mesmo tempo em que vê a exportação brasileira para o parceiro diminuir 44% de janeiro a maio, o governo Lula constata um avanço dos chineses naquele mercado e prepara uma ação enérgica.

A ideia é resgatar a desastrada tentativa de suspender as licenças automáticas de importação, mirando automóveis, autopeças, alimentos e laticínios. A suspensão da licença automática, anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento em janeiro, havia sido acertada com o Ministério da Fazenda, mas foi desautorizada pelo presidente Lula na ocasião.

Recolocada na pauta da área econômica, foi adiada para depois das eleições de domingo a pedido do Itamaraty, sob a justificativa de que uma ação forte do governo brasileiro poderia contaminar o ambiente político. O resultado das eleições fortaleceu a oposição e ameaçou o futuro do casal Kirchner no poder.

Uma suspensão do sistema automático de importações do Siscomex afetará indiscriminadamente todos os parceiros comerciais do Brasil. Mas a orientação do governo, se a medida for adotada, será aplicá-la somente à Argentina. Para mercadorias adquiridas em outros países, a liberação seria imediata, diz uma alta fonte do governo. O que se pretende não é reduzir as compras feitas na Argentina, mas forçar o governo Kirchner a negociar um recuo nas medidas protecionistas que restringiram a importação de produtos brasileiros.

Conforme um funcionário graduado do governo brasileiro, a adoção de medidas contra produtos argentinos é a "única linguagem" compreendida pela Casa Rosada.

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