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Setor vai intensificar combate à pirataria nas companhias
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Software: BSA, que congrega grandes fabricantes internacionais, planeja ampliar ações no Brasil

Setor vai intensificar combate à pirataria nas companhias


    Gustavo Brigatto, de São Paulo
    26/03/2009
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Ana Paula Paiva/Valor
Foto Destaque
Robert Holleyman, da Business Software Alliance: mais dinheiro para o país

Engana-se quem acredita que a maior parte das perdas do mercado de software com a pirataria vem do consumidor que compra um CD com a cópia ilegal de um programa ou que baixa um aplicativo na internet.

Segundo Robert Holleyman, presidente e executivo-chefe da Business Software Alliance (BSA), organização que representa 29 companhias, responsáveis por 65% do faturamento do mercado mundial de programas para computador, o setor de software deixa de ganhar a maior parte dos US$ 48 bilhões que circulam no mercado ilegal por conta das empresas. "A companhia que usa mais licenças do que as que comprou é o problema do mercado", diz o executivo. Segundo Holleyman, o plano principal, agora, é mostrar isso ao mercado nacional.

Para reforçar sua atuação local, a BSA pretende aumentar os investimentos no país. "Vamos manter estável o investimento em alguns países, mas aumentar os esforços no Brasil", diz Holleyman, sem revelar valores. Nesta semana, a BSA realiza pela primeira vez seu encontro mundial no Brasil. O evento, que termina amanhã em São Paulo, contará com uma premiação a cinco projetos de inovação desenvolvidos no país.

Além da busca e premiação de ideias e produtos, os esforços da BSA vão incluir uma comunicação mais intensa com o mercado sobre a pirataria no ambiente empresarial, explica o executivo.

Muitas companhias de tecnologia da informação têm dito, nos últimos tempos, que o Brasil tornou-se um foco prioritário devido à desaceleração dos negócios nos mercados americano e europeu. Na BSA, porém, o país passou a ocupar uma posição de destaque em 2007, muito antes da crise, diz Holleyman. À época, os sintomas de recessão já assombravam os Estados Unidos. "O mercado de computadores no Brasil tem uma projeção de crescimento de 70% até 2012 e o de software, de 40%. Essa diferença existe por causa do desafio da pirataria", diz Holleyman, citando projeções da consultoria IDC.

Os números da pirataria no Brasil vêm caindo desde 2005. Naquela época, os programas vendidos de forma ilegal representavam 64% do mercado. No ano seguinte, a participação caiu para 60%, atingindo 59% em 2007. No mesmo período, as perdas da indústria de software mais que dobraram, saindo de R$ 766 milhões para US$ 1,62 bilhão, resultado do aumento na base de usuários de computador no país. Os números da pirataria em 2008 ainda não estão fechados (a expectativa é de sejam publicados em maio), mas Holleyman não espera uma queda muito acentuada, nem no Brasil nem em âmbito global.

O executivo não sabe dizer neste ano haverá um aumento na participação dos produtos piratas por conta da desaceleração da economia, o que poderia levar mais empresas a adotar software ilegal. "É uma pergunta que também estamos nos fazendo. Mas ainda não tenho informações suficientes que balizem isso", diz ele. Holleyman reforça o argumento de que o uso de software é importante para que as empresas ganhem competitividade em um momento de crise. "Essa é a nossa mensagem".

Questão bastante discutida por companhias e executivos do setor, a redução da carga tributária que incide sobre software não está na pauta da BSA no momento, diz Frank Caramurú, que comanda a operação da BSA no Brasil. "É uma questão importante mas não está na pauta agora", afirma.

A BSA tem entre seus associados companhias como Adobe, Apple, HP e Microsoft, além de empresas menos conhecidas no país, como Intuite Mindjet.

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