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Ajustes prosseguem após queda recorde da indústria
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Ajustes prosseguem após queda recorde da indústria


    De São Paulo, Brasília, Florianópolis, Curitiba, Recife e Rio
    04/02/2009
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A demanda interna parou de sustentar o crescimento brasileiro no fim de 2008 e início deste ano. A produção industrial caiu 12,4% em dezembro na comparação com novembro, já descontados os fatores sazonais, e 14,5% em relação a dezembro de 2007, quedas recordes na série estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração foi generalizada e 70% dos 755 produtos investigados apresentaram recuo na produção - outro recorde negativo.

As primeiras informações de janeiro e os relatos de empresários ouvidos pelo Valor indicam que para alguns setores o mês de dezembro pode ter sido o fundo do poço, mas para outros o processo de ajuste na produção se manteve. Os dados de licenciamento de veículos e de expedição de aço apontam pequena recuperação na produção de automóveis em janeiro na comparação com dezembro, mas queda em relação ao início de 2008. No setor de eletroeletrônicos, as encomendas mostraram um janeiro ainda mais fraco que o fim do ano passado. No setor de autopeças, mais empresas anunciaram férias coletivas e acordos de redução de jornada e salários.

O tombo da indústria em dezembro - produção 19,8% inferior à de setembro, já descontados fatores sazonais - levou à revisão das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2008 e também deste ano. As estimativas para o quarto trimestre são de uma queda superior a 2% em relação ao período imediatamente anterior. Essa "herança" vai contaminar o resultado de 2009. Ontem, alguns analistas já começaram a projetar um PIB negativo (de até menos 0,4%) para este ano. Se isso ocorrer, será a primeira queda anual desde 1992.

Entre os números desastrosos da indústria em dezembro, o mais emblemático é a queda de 22% na produção de bens de capital na comparação com o mesmo mês de 2007. Ele confirma que a crise financeira interrompeu o melhor e maior ciclo de investimentos dos últimos anos no país.

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