Após cinco anos de ausência, o Banco Central voltou a fazer leilões de dólar no mercado à vista, derrubando uma cotação que já havia subido 7,31% em um dia sem muitos negócios. Em relação ao dia anterior, a moeda americana caiu 1,34%, para R$ 2,28. O BC ofereceu US$ 4 bilhões, mas vendeu apenas US$ 1,55 bilhão, valor que sairá de suas reservas.
Em meio ao nervosismo, o mercado de câmbio foi movido pela especulação e pela demanda de empresas que procuraram cobrir apostas em derivativos. O grupo Votorantim confirmou que desmontou suas posições de venda de opções de compra. Segundo o mercado, a empresa entrou comprando anteontem em volumes significativos. Em nota, o grupo controlado pela família Ermírio de Moraes diz ter realizado algumas operações de "opção de verificação em dólar" nos últimos meses, eliminadas completamente até ontem.
O total de posições vendidas em dólar das empresas clientes com os bancos no mercado de balcão da Cetip - especulativas e defensivas - chega a R$ 58 bilhões. Desse total, há R$ 10,74 bilhões que vencem em 30 dias, outros R$ 9 bilhões que vencem em um período de 31 a 60 dias, R$ 6,78 bilhões que vencem de 61 a 90 dias e R$ 12,72 bilhões em 91 a 180 dias. A maior parte - R$ 15,22 bilhões - vence de 180 a 360 dias.
O componente especulativo para a disparada do dólar pode ser observado nos números fornecidos pelo BC. O fluxo cambial continua positivo e sobrou moeda estrangeira no mercado mesmo nos dias em que o real se desvalorizou. Nos três primeiros dias úteis de outubro, quando a cotação do dólar pulou de R$ 1,9143 para R$ 2,0540, os ingressos de dólares no mercado de câmbio superaram as saídas em US$ 514 milhões.
A Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, enviou carta à Sadia pedindo a convocação de assembléia de acionistas para votar a abertura de um processo civil contra os administradores para ressarcimento da empresa e instalação de uma auditoria para detalhamento das operações que levaram à perda de R$ 760 milhões.