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Dólar dispara e leva BC a intervir
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Dólar dispara e leva BC a intervir


    Cristiane Perini Lucchesi e Luiz Sérgio Guimarães, de São Paulo
    19/09/2008
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A falta de linhas de crédito à exportação impediu os exportadores de fechar câmbio antecipadamente. Em um mercado sem vendedores e com muitos compradores, o dólar chegou a subir 5%, para R$ 1,9630. Foi quando o Banco Central anunciou leilão de venda com compromisso de recompra a ser realizado hoje. O dólar voltou para R$ 1,93 - ainda assim o maior nível desde setembro de 2007. A alta foi de 3,32%, a maior desde maio de 2006. O movimento de venda de reais pelos fundos que aceitam maior risco também elevou os juros. As taxas projetadas para janeiro de 2010 foram a 15,30% ao ano. Eram de 14,85% anteontem.

Na prática, os leilões do BC significam a oferta de linhas de crédito em dólar. Eles buscam ajudar os exportadores a obter crédito e reduzem a volatilidade na taxa de câmbio dentro de um mesmo dia. As oscilações bruscas do dólar deixam as empresas sem referência de preços e impedem negócios.

Até o dia 10, o BC vinha comprando dólares. A última vez que a autoridade monetária vendeu a moeda em leilão desse tipo foi em 27 de fevereiro de 2003, quando as linhas à exportação para o país haviam se tornado raras por causa da crise eleitoral de 2002. Desta vez, as linhas começaram a faltar não por causa do risco-Brasil, mas devido à paralisação no mercado interbancário de dólar internacional. Não foi à toa que os bancos centrais internacionais fizeram uma ação coordenada ontem para injetar centenas de bilhões de dólares a fim de que as engrenagens continuassem a funcionar. E nem isso foi suficiente para trazer a calma de volta.

Os mercados só se tranqüilizaram no fim do dia - depois que o mercado de câmbio no Brasil já havia fechado -, com a notícia de que o governo americano negocia o apoio do Congresso para criar uma empresa com recursos públicos para comprar os créditos podres dos bancos, evitando que eles quebrem. Seria uma solução geral, de socorro a todo o sistema financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 5,48%. O índice Dow Jones, de Nova York, teve valorização de 3,86%.

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