O dólar continuou a cair em relação a outras moedas importantes ontem, mesmo com os mercados cambiais menos voláteis ultimamente. Observadores do setor dizem que os fundamentos da moeda continuam sombrios, diante da opção do Fed, o banco central americano, por uma nova era de juros baixíssimos e expansão monetária.
A incursão do Fed num território inexplorado pode ser essencial para tirar a economia americana do abismo. Mas pode ter suas próprias conseqüências, dizem investidores cambiais, especialmente em relação ao enfraquecimento do apelo de se aplicar em instrumentos em dólar.
"Ao optar por tanta agressividade, o Fed de fato indicou que há fraqueza significativa na economia americana", disse Robert Catalanello, chefe da área cambial para a região das Américas da Calyon, em Nova York. "O resultado? Não sobram muitos motivos para se investir na moeda." Depois de se recuperar brevemente da queda brusca de terça-feira, depois que o Fed anunciou o corte nos juros, o dólar chegou a ficar abaixo da barreira dos US$ 1,44 em relação ao euro e atingiu a cotação mais baixa em relação à moeda japonesa nos últimos 13 anos, valendo quase 87 ienes.
Agora os EUA têm a menor taxa de juros entre os países ricos. Isso significa que os investidores não têm muito incentivo para aplicar em instrumentos de curto prazo em dólar e preferem trocar os dólares por outras moedas.
Ao cortar o juro efetivamente a zero, o Fed exauriu os métodos convencionais de estímulo à economia. Em vez deles, aposta numa estratégia usada no Japão no início da década. Essa estratégia pode envolver várias medidas, mas geralmente é chamada de "expansão monetária", por que afeta a quantidade de dinheiro no sistema financeiro, em vez de seu custo - em outras palavras, os juros. Essa estratégia também acaba criando uma oferta cada vez maior de dólares, o que tem o potencial de desvalorizá-lo.