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Previsões de fim da má fase nas bolsas ganham fôlego nos EUA
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Previsões de fim da má fase nas bolsas ganham fôlego nos EUA


    E.S. Browning, The Wall Street Journal
    08/12/2008
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Será que o mercado já bateu no fundo? A pergunta está de volta à tona.

Alguns importantes analistas e gestores financeiros acreditam que a queda das bolsas em novembro, que derrubou o índice Standard & Poor's 500 em 52% em relação ao seu recorde de 2007, será lembrada como o fim desta arrasadora crise do mercado.

Entre os que acreditam que a baixa da bolsa já terminou e é hora de investir em ações, há famosos gestores financeiros como Bill Miller, da Legg Mason, Steve Leuthold, do Leuthold Group e o analista de mercado Laszlo Birinyi, da Birinyi Associates. Esse otimismo, confirmado por outros comentários positivos de investidores menos conhecidos, está dando esperanças e ajudou a elevar algumas cotações na sexta-feira, apesar do péssimo relatório sobre os índices de desemprego em novembro nos Estados Unidos.

O problema é que muitos analistas, inclusive os três citados, já demonstraram excesso de otimismo e de pressa ao declarar o término de declínios anteriores. Os mais céticos dizem que há meses os especialistas vêm tentando anunciar o fim da má fase das bolsas, sempre se equivocando.

"Há pessoas que acham que a crise bateu no fundo - o mesmo que disseram em março e em junho" diz Paul Desmond, presidente da análise de ações Lowry's Reports.

"Agora essas afirmações provavelmente têm mais substância, pois tivemos uma fase drástica de vendas. Mas nossas análises simplesmente não mostram sinais de uma exaustão dos vendedores e uma expansão dos compradores, o que deveria estar ocorrendo se estivéssemos no fim da baixa."

Mesmo assim, já há tanta gente anunciando o fim da fase de baixas que vale a pena examinar suas opiniões. Até os analistas da Ned Davis Research, famigerados pessimistas, dizem que estão vendo sinais de fim da seqüência de quedas das bolsas.

"Ainda não estamos prontos para anunciar isso", diz Tim Hayes, diretor de estratégias de investimento da Ned Davis, mas "tudo vem seguindo o roteiro conhecido de que a crise já bateu no fundo".

A prevista mudança de astral nas bolsas americanas pode acabar se refletindo em outros mercados, como o Brasil, cujas ações tendem a flutuar sob a influência dos humores de Wall Street.

Eis alguns indicadores que, segundo os otimistas, indicam o fim da baixa:

Valorização: Mesmo avaliadas com critérios conservadores, as ações estão com o preço mais baixo dos últimos 21 anos.

Pelas medidas de Leuthold, em 20 de novembro o S&P 500 fechou a 10,4 vezes a média dos lucros empresariais dos últimos cinco anos - dentro da faixa dos 10% mais baixos dessa leitura nos últimos 52 anos.

Mas o problema é que nem sempre as ações sobem só porque caíram abaixo de sua média histórica. Diz um ditado de Wall Street: "O mercado pode continuar irracional mais tempo do que eu posso continuar solvente".

Tamanho do declínio: No ponto mais baixo de fechamento em novembro, o S&P 500 tinha caído 52% e a Média Industrial Dow Jones, 47% - muito próximo à queda desses índices durante a maior parte das baixas realmente graves da história moderna.

Isso faz alguns analistas acreditar que as ações ou bateram no ponto mais baixo em novembro, ou têm muito pouco mais a cair antes de bater no fundo.

O que preocupa os mais céticos é que já houve ocasiões em que as ações caíram mais ainda - como exemplo notável, após a quebra de 1929, quando a Dow caiu quase 90%, e também no Japão nos anos 1990. Em 2000 o Índice Composto Nasdaq caiu 78%, após o colapso das ações de empresas de tecnologia.

Capacidade de recuperação: desde os níveis mais baixos de novembro, as bolsas têm demonstrado surpreendente resistência.

"Não creio que o mercado vai cair ainda mais", disse Birinyi, presidente da Birinyi Associates. "Creio que é hora de sair da toca."

A menos que haja um cenário semelhante ao da Grande Depressão, disse Birinyi, as bolsas estão começando a subir, embora os ganhos possam ser lentos e voláteis.

Como é provável que haja novas más notícias, é preciso que as ações demonstrem mais capacidade de reagir para que a recuperação continue.

Sentimento: Diversas medidas da atitude dos investidores sugerem que o medo atingiu um nível extremo em novembro. Essas medidas incluem pesquisas com profissionais e investidores individuais, e a utilização das opções por parte dos investidores como proteção contra os retrocessos na bolsa.

Por estranho que pareça, o medo extremo pode ser um sinal positivo para as ações, pois pode significar que todos os que desejavam vender finalmente já venderam. Quando as pessoas começam a se recuperar do medo extremo, os compradores entram em ação, como ocorreu desde 20 de novembro.

Parece que a moral da história é a seguinte: se o desemprego nos EUA não se aproximar dos 10%, se as grandes instituições financeiras escaparem da concordata ou da estatização, e se a recessão der sinais de terminar no ano que vem, a baixa poderá estar quase no fim - apesar de que as ações ainda podem sofrer severos altos e baixos antes de se estabilizarem.

The Wall Street Journal Americas:

 

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