Compra da Neo Química é positiva para o mercado, dizem especialistas

Valor Online
07/12/2009 17:14

SÃO PAULO - A compra do Laboratório Neo Química pela Hypermarcas será positiva para o mercado de remédios brasileiro. Segundo especialistas, a operação fortalecerá a empresa nacional, dando a ela condições de concorrer com as grandes estrangeiras.

"É importante que se crie um grupo forte para brigar com os gigantes. Isso aumenta a concorrência", afirmou o professor de planejamento estratégico da Universidade Mackenzie, Marcos Morita.

Com a aquisição, que será realizada pela subsidiária Hypernova Medicamentos Participações, a Hypermarcas se torna a terceira maior no setor de remédios em termos de faturamento, segundo a consultoria IMS Brasil, ultrapassando a Shering e a Eurofarma. À frente da companhia ainda estão a EMS e a Aché.

Para Morita, diante de tantos concorrentes de peso, neste caso a concentração do mercado não preocupa. O professor do FGV Management, Domingos Pandeló, concorda que a operação é saudável. "Esses segmentos necessitam de investimentos maiores, como acontece nos casos de concorrência monopolista. Se tivermos várias empresas de menor porte elas certamente serão também mais frágeis", explica.

A inciativa da Hypermarcas completa o portfólio da empresa no setor de remédios. Depois comprar a DM Farmacêutica em 2007 e dar um passo no ramo de medicamentos sob prescrição médica com a compra da Farmasa, em junho do ano passado, a companhia ainda não tinha entrado no segmento de genéricos.

A estratégia de se expandir por meio de diversificação de portfólio e aquisições não é de agora. O grupo Hypermarcas possui quatro unidades de negócios: Higiene e Limpeza, Beleza e Higiene Pessoal, Alimentos, e Medicamentos, nas quais o avanço, em sua maioria, foi feito via compras. "A estratégia deles é essa mesmo: diversificação para ter força para brigar com as concorrentes como Unilever e a Procter & Gamble", conclui Morita.

Logo pela manhã, a Hypermarcas anunciou a compra do Laboratório Neo Química em um negócio estimado em R$ 1,3 bilhão.

(Vanessa Dezem | Valor)

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