Governo descarta intervenção em tarifas aéreas
Valor Econômico
25/08/2006 11:08
BRASÍLIA - Após as queixas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma suposta escalada no preço das passagens aéreas, os principais executivos da TAM e da Gol foram convidados para uma conversa pessoal com o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, e disseram que a situação do setor estará normalizada dentro de 60 dias.
Marco Antonio Bologna (TAM) e Constantino Oliveira Jr. (Gol) jantaram com o ministro em um restaurante de Brasília e explicaram que a percepção de aumento das tarifas pelos consumidores foi causada pelo cancelamento de vôos da Varig em plena alta temporada. Como o momento era de férias escolares e boa parte dos bilhetes tinha sido vendida com antecedência, as passagens compradas em cima da hora já não podiam ser encaixadas nas classes tarifárias promocionais.
" Mas eles garantiram que, dentro de 60 dias, estará tudo resolvido " , disse Mares Guia. Segundo ele, há três motivos para isso: o fim da alta temporada, novos aviões começam a reforçar a frota das duas empresas para dar conta do crescimento da oferta e a Varig implementará os passos seguintes do Plano Básico de Linhas apresentado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). " Deixei claro que não se tratava de intromissão. Só queríamos entender o tamanho da problemática " , acrescentou.
Diante das explicações, Mares Guia afirmou que o governo descarta uma providência mais radical para baixar as tarifas aéreas. " Nós não controlamos os preços. Podemos até discutir os critérios de definição das tarifas. Mas preço quem define é o mercado " , ressaltou o ministro.
Mares Guia preferiu não entrar na disputa travada entre a Anac e o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pelo processo de recuperação judicial da Varig. Segundo ele, " a Anac tem o direito de redistribuir (as rotas), mas o Ayoub é a Justiça " . Para o ministro, a diminuição de vôos ao exterior por empresas brasileiras não representa um problema para a geração de divisas. Atualmente, a Varig só está operando vôos internacionais para Frankfurt, Buenos Aires e Caracas. As demais companhias ainda não conseguiram herdar rotas deixadas de lado pela Varig e consideradas atrativas, como Paris, Milão, Los Angeles e outros destinos na América do Sul, como Bogotá.
" As divisas não vêm pela venda de passagens aéreas. Vêm pelos turistas que compram as passagens " , disse o ministro. Ele lembrou que, de 2003 a junho de 2006, a chegada de turistas estrangeiros rendeu a entrada de US$ 11,7 bilhões no país.
Em evento na primeira semana de agosto, o presidente Lula reclamou dos preços dos bilhetes e afirmou a interlocutores que as companhias aéreas estavam " passando dos limites " . Chegou até a sugerir a possibilidade de uma reunião, no Palácio do Planalto, para discutir medidas de contenção das tarifas - o que aparentemente, agora, está descartado.
(Daniel Rittner | Valor Econômico)
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