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Baixa do juro básico só deve ajudar dívida pública a diminuir em 2007

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24/08/2006 14:11

BRASÍLIA - Dez meses após o início da queda do juro básico, o efeito ainda é marginal na dívida líquida do setor público. Ao contrário, a dívida continua com elevação nominal e, mesmo na relação com o Produto interno Bruto (PIB), deve subir dos 50,3% atuais para 50,5% ao fim deste ano.

" Vai ocorrer uma queda mais pronunciada só em 2007 " , afirmou hoje o chefe do departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, por efeito da queda do juro. Ele ainda não tem, porém, uma meta para essa queda na proporção do PIB.

Lopes justificou que o efeito dos cortes de juros precisam permanecer por, no mínimo, um ano para ter impacto sobre a dívida. A queda de 1 ponto percentual na taxa básica Selic, mantida por 12 meses, tem efeito de reduzir 0,29 ponto percentual do PIB, nessa relação.

A Selic acumulada em 12 meses terminados em julho de 2005 era de 18%. E a acumulada em igual intervalo terminado em julho deste ano caiu apenas para 17,38%.

O técnico do BC destacou ainda que houve mudança na composição do endividamento. A parcela atrelada à Selic representava 52,9% do total em julho de 2005, caindo para 47,2% em julho de 2006. Já a prefixada subiu de 21,1% para 30,2% e a corrigida pelo índice oficial da inflação IPCA subiu de 3,7% para 14,1%, por exemplo.

Enquanto a queda da Selic não se reflete com maior intensidade, os juros apropriados sobre a dívida continuam em alta. De janeiro a julho deste ano foram R$ 95,09 bilhões, o maior patamar para o período, desde o início do levantamento do BC em 1991.

A dívida líquida do setor público subiu de R$ 1,024 trilhão em junho para R$ 1,030 trilhão em julho, mantendo 50,3% na relação com o PIB, patamar que deve se repetir em agosto, segundo Lopes.

Ao projetar que essa relação deve ficar em 50,5% do PIB, em dezembro deste ano, o técnico do BC leva em conta uma taxa de câmbio de R$ 2,20 ao fim do ano, juro médio de 15,3% no ano e 4% de variação positiva no PIB.

Com base nesses indicadores, ele também prevê que o déficit nominal ou as necessidades do setor público acima da economia para o pagamento de juros - que tem meta em 4,25% do PIB - deve ficar em 3,6% do PIB.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)






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