Câmbio, greve na Receita, Copa e Petrobras explicam crescimento menor no 2º trimestre
Valor Online
31/08/2006 12:24
RIO - O real valorizado e fatores pontuais como a greve da Receita Federal, a Copa do Mundo e paradas para manutenção de plataformas da Petrobras frearam o crescimento da economia brasileira no segundo trimestre do ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre após uma expansão de 1,3% nos três primeiros meses do ano.
O período de abril a junho foi marcado pela retração das exportações, da indústria e dos investimentos frente ao primeiro trimestre de 2006.
Pela óptica da oferta, a indústria foi responsável em parte pela desaceleração da taxa do segundo trimestre, com uma retração de 0,3%. Quanto ao consumo, houve uma forte queda dos investimentos (máquinas, equipamentos e construção civil), de 2,2%, após uma alta de 3,7% no primeiro trimestre deste ano. Além disso, as exportações registraram decréscimo de 5,1% e as importações, uma redução de 0,1%.
" O câmbio valorizado acaba afetando o setor externo, mas, nesse segundo trimestre, houve vários fatores pontuais que prejudicaram o crescimento, como a paralisação de plataformas da Petrobras, o fato de a Copa ter reduzido o número de dias úteis a greve da Receita Federal, que prejudicou muito a exportação de vários produtos e a importação de outros que são fundamentais na cadeia produtiva " , disse a gerente das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.
Em compensação, a demanda doméstica acabou por sustentar a economia. O consumo das famílias, estimulado pela alta da renda real e pela ampliação da oferta de crédito, subiu 1,2% enquanto o consumo do governo aumentou 0,8% em relação ao primeiro trimestre do ano.
Com o resultado do segundo trimestre, economia acumula crescimento de apenas 2,2% no primeiro semestre de 2006.
(Ana Paula Grabois | Valor Online)
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