Computadores "legais" ganham espaço na concorrência com os piratas, mostra pesquisa
Valor Online
12/09/2006 19:44
SÃO PAULO - A venda de computadores pessoais (PC, na sigla em inglês) no país cresceu 43% no primeiro semestre deste ano, ante igual período do ano passado, com 3,6 milhões de unidades comercializadas. Segundo avaliação da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), essa evolução se deve em grande parte a medidas governamentais que estão coibindo a atuação do mercado ilegal e a comercialização dos chamados "PC´s Clone", categoria que inclui os computadores piratas, contrabandeados ou montados sem pagamento de impostos dos componentes.
Uma pesquisa encomendada pela entidade à IT Data, mostra que a participação desses PCs no mercado caiu de 73% em 2004, para 48% na primeira metade deste ano. No mesmo período, a fatia das máquinas fabricadas por empresas nacionais cresceu de 16% para 37%. A participação de computadores importados avançou de 11% para 15% na mesma base comparativa.
Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data, afirma que esse movimento de expansão do mercado legal em curto espaço de tempo ganhou impulso em duas frentes. Pelo lado dos incentivos fiscais, o Programa de Inclusão Digital permitiu a isenção de PIS/Cofins na venda de desktops de até R$ 2.500 e de notebooks de até R$ 3 mil. Isso favoreceu a redução de preços e, consequentemente, a demanda por produtos garantidos. Ao mesmo tempo, ficaram mais intensivas as atuações da Polícia Federal e da Receita Federal no combate à pirataria e ao comércio ilegal dessas máquinas.
" Isso vem tendo impacto positivo para os fabricantes, fornecedores de componentes, comerciantes e usuários, além de gerar mais receita tributária e empregos " , diz. Rodrigues lembra ainda que esse segmento vem sendo favorecido também pela queda do dólar frente ao real, já que 85% dos componentes dos computadores têm preços atrelados à moeda americana.
O estudo mostra que no primeiro semestre do ano passado, a presença dos PC ? s Clone era de 75% no segmento de máquinas de até R$ 2.500 e de 30% para computadores acima desse valor. Entre janeiro e junho deste ano, essa fatia de participação na venda de PC ? s mais baratos caiu para 52%. Entre as máquinas que custam mais de R$ 2.500, entretanto, a participação do chamado mercado cinza cresceu para 34% na primeira metade de 2006.
Para conter o movimento ilegal para máquinas mais caras, a Abinee já entregou ao governo uma proposta de aumentar a faixa de isenção de PIS/Cofins para R$ 3 mil no caso dos computadores de mesa e para R$ 4 mil no caso dos notebooks. " Isso deve melhorar a concorrência e tornar menor a diferença de preços (entre o computador legalizado e os outros) " .
Além disso, a entidade sugere intensificação da vigilância para coibir contrabandos de máquinas e componentes, bem como o comércio ilegal. A IT Data sugere, ainda, que o governo determine que em licitações públicas, de todas as esferas, seja exigido das empresas a comprovação de que atual legalmente, dentro do Processo Produtivo Básico (PPB), conhecida como Lei da Informática. " Parece incrível, mas o governo (municipal, estadual e federal) é comprador do mercado cinza. Instituir essa exigência ajudaria a diminuir o mercado de PC ? s Clone " , diz Rodrigues.
(Bianca Ribeiro | Valor Online)
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