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São Paulo, 7 de setembro de 2008

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Para Nokia, baixa renda da AL não impede demanda por celulares com recursos multimídia

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14/09/2006 15:39

MIAMI* - A Nokia apóia sua estratégia de crescimento na América Latina no usuário que vai trocar de celular, já que, sempre que isso acontece, o consumidor quer um modelo com mais recursos e sofisticação que o anterior. Para a companhia de origem finlandesa, a demanda é grande por modelos desse tipo, apesar da baixa renda da população do continente.

Segundo Maurizio Angelone, vice-presidente sênior de marketing para a América Latina, ao mesmo tempo que os índices de teledensidade - número de celulares a cada cem habitantes - se aproxima da saturação nos países da região, aumenta a velocidade com que o consumidor troca de aparelho.

Há cerca de dois anos, disse ele, esse período era de, em média, 2,3 anos, mas hoje já caiu para uma troca a cada 1,8 ano, enquanto em alguns países em particular esse tempo é ainda menor, como na Venezuela, onde se troca de aparelho a cada 1,3 ano, ou na Colômbia (a cada 1,5 ano). No Brasil, a marca é ligeiramente maior que a média da América Latina - 2,1 anos.

" Isso contribui para que, em vez de crescer o volume de vendas, se amplie o valor da receita " , afirmou o executivo, no evento Nokia Business Summit, onde a companhia apresentou sua estratégia para a América Latina.

Segundo ele, a renda mensal da população não será um impeditivo para que a companhia venda modelos cada vez mais sofisticados. " Na Índia e na China, a Nokia vende 20 vezes mais modelos com recursos multimídia do que na América Latina " , comparou.

Angelone notou que " a demanda existe " e só não provocou vendas maiores até agora porque o consumidor não conhece todos os recursos disponíveis nos aparelhos. " Cabe à Nokia divulgar esses recursos " , afirmou, já que as operadoras têm se concentrado em elevar a penetração do produto, mesmo que por meio dos modelos mais simples.

Ele citou o exemplo das vendas de TV de plasma no Brasil no período que antecedeu a Copa do Mundo de Futebol. " Foi um fenômeno no país, o que mostra que a renda não impede quando a população quer um determinado item " , comentou.

A companhia, entretanto, não pretende deixar de atender também aos usuários que buscarem os modelos mais simples. " A Nokia é a única fabricante a suportar a Claro na decisão de continuar a vender celulares com tela em branco e preto, para ampliar a penetração do celular nas regiões mais carentes " , disse.

Segundo ele, a Nokia continuará a participar do projeto da operadora de controle mexicano com a oferta desses terminais.

(Taís Fuoco | Valor Online)

*A repórter viajou a convite da Nokia


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