Equatorial vai disputar distribuidoras de energia no Norte e Nordeste
Valor Econômico
19/09/2006 11:32
SÃO PAULO - As distribuidoras de energia que foram federalizadas pela estatal Eletrobrás estão na mira da Equatorial Energia. De acordo com o principal executivo do grupo, Octavio Pereira Lopes, empresas como a Ceal de Alagoas, Cepisa do Piauí e Ceron de Rondônia são potenciais alvos. A expectativa do executivo é que esses ativos sejam colocados à venda no ano que vem.
" O nosso interesse é nos grupos do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, porque além de estarem localizados em regiões menos desenvolvidas do Brasil, e possibilitarem grande crescimento no futuro, essas empresas não despertam tanto o interesse do mercado. Então, menor concorrência é igual a maiores possibilidades " , afirma o executivo. Lopes não esconde que o papel da Equatorial será o de grupo consolidador nesses mercados.
Para viabilizar a estratégia, a Equatorial, que controla a distribuidora maranhense de energia Cemar, usará os R$ 540 milhões que conseguiu em março passado, quando fez a sua oferta pública de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Naquela oportunidade, a empresa negociou 32,4 milhões de " units " a um preço individual de R$ 16,67. Cada " unit " do grupo possui uma ação ordinária e duas preferenciais. A empresa está listada no Nível 2 da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Contudo, o principal executivo da Equatorial deixa claro que a estratégia de aquisição poderá inclusive resultar em operações de capitalização no mercado. Com um endividamento líquido sobre o lucro antes de juros, depreciações e amortizações (lajida) inferior a um, Lopes garante que conseguiria acessar boas linhas de crédito.
Os papéis da companhia têm apresentado um bom desempenho na Bovespa, o que facilita o acesso ao financiamento. Desde 31 de março, quando as ações começaram a ser acompanhadas de perto, até setembro, as " units " da Equatorial valorizaram-se 12%, enquanto que o Índice Bovespa caiu ao redor de 4% no período e os papéis das demais companhias registraram média negativa de 1%.
A empresa entende que a forte presença da Eletrobrás nas regiões escolhidas abre espaço para bons negócios. Como respondem por aproximadamente 27% da distribuição de energia no Brasil, as regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste ainda têm um terço desse montante ligado aos grupos controlados pela estatal. O restante já está nas mãos de grupos privados.
Além do movimento de aquisição, o principal executivo da Equatorial, grupo controlado pela holding Brasil Energia, formada por fundos de investimentos do GP, pretende pulverizar 100% do seu capital em bolsa. Hoje, a empresa negocia 60% do capital total no mercado e 40% ainda está nas mãos da Brasil Energia. " Mas isso é um movimento para um período entre cinco e 10 anos " , explica o executivo.
Se esse movimento de pulverização ainda está distante, o que está na ponta da língua de Lopes é a sua resposta quanto ao interesse em relação a distribuidora do Estado de Goiás, a Celg. E a resposta é não. Apesar de a Celg ter conseguido autorização para negociar cerca de 41% de seu capital total, o executivo da Equatorial informa que esse ativo não desperta o interesse.
Para André Rocha, presidente da Celg, a decisão de negociar o capital na bolsa só será tomada após as eleições deste ano. " É fato que já estamos trabalhando nisso. Tanto que nossa opção é pelo Novo Mercado " , informa o executivo, que comanda a empresa desde 2004.
O mercado acionário virou alvo das companhias do setor energético. Mais de 10% das empresas listadas pertencem ao segmento de distribuição de energia. " O mercado de capitais virou ferramenta de financiamento para as empresas deste setor e isso é uma tendência " , afirma José Batista Fraga, superintendente-executivo de relações com empresas da Bovespa.
(Maurício Capela | Valor Econômico)
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