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Brasileiro baixou 1,1 bilhão de músicas pela web em 2005, mas 98% de forma ilegal, mostra pesquisa

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15/09/2006 18:22

SÃO PAULO - A primeira pesquisa encomendada pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) sobre o universo musical na internet mostrou que, em 2005, os brasileiros baixaram 1,1 bilhão de canções pela web. Se todas fossem feitas de forma legalizada, gerariam uma receita de mais de R$ 2 bilhões, ou três vezes superior ao total faturado com a venda de CDs e DVDs originais, de R$ 615,2 milhões.

O estudo encomendado à Ipsos Insight, no entanto, mostra que a maioria dos downloads foi feita pelo compartilhamento de arquivos entre máquinas (chamado peer-to-peer), o que não envolve o pagamento de direitos autorais. Segundo Paulo Rosa, diretor geral da ABPD, "mais de 98%" das músicas foram baixadas desta forma, já que no ano passado as opções de venda de downloads de músicas de forma legalizada era restrita praticamente ao site iMusica e às lojas para as quais o iMusica licencia sua tecnologia. Neste ano, outras lojas, como a megastore do UOL, passaram a oferecer o serviço com pagamento de direitos autorais.

A pesquisa mostrou que 8,2% da população brasileira, ou 2,9 milhões de pessoas, baixaram pelo menos uma música pela web no ano passado. Metade desse contingente gravou as músicas baixadas em CD, o que equivale a um volume de 52 milhões de CDs gravados em 2005, volume 13% maior que o total de CDs originais vendidos pela indústria.

O hábito de baixar música pela internet parece mais ligado à praticidade do meio digital do que à dificuldade em pagar pelo CD original, já que o estudo mostra que a maior parte (52%) dos brasileiros que baixam músicas pela web pertence à classe B, 14% à classe A, 30% na classe C e apenas 4% na classe D.

Em relação ao grau de instrução, 52% dos que possuem o hábito de baixar música pela web tem colegial completo ou superior incompleto, enquanto 17% tem curso superior completo e 26% ginásio completo ou colegial incompleto.

Segundo Rosa, a pesquisa mostrou o potencial que o segmento de venda de músicas pela internet tem no Brasil, o que será um incentivo para que a associação trabalhe no sentido de regularizar as redes de peer-to-peer no país, ao mesmo tempo em que mostra a necessidade de se intensificar as campanhas de esclarecimento da população sobre os riscos da ilegalidade.

A entidade também pretende, de posse da pesquisa, "intensificar o apoio para que a indústria fonográfica licencie seu repertório para os serviços digitais", já que os dados mostram o quanto o brasileiro aprecia a modalidade.

A associação, segundo ele, "estuda com muita seriedade" a possibilidade de acionar judicialmente os usuários desse tipo de rede de venda ilegal de músicas. Países como França, Inglaterra, Alemanha, Japão e Estados Unidos já tiveram casos de processos do tipo, mas no Brasil, segundo Paulo Rosa, "não se tem notícia de nenhuma".

A ABPD pretende tornar a realização da pesquisa um hábito anual e, na próxima versão, tem planos de incluir também os dados de músicas baixadas pelo celular.

(Taís Fuoco | Valor Online)


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