Valor Online

São Paulo, 21 de agosto de 2008

Procurar por:

Busca Avançada

Análise: ´Surpresa´ não abala credibilidade do BC

Valor Econômico
28/08/2006 09:18

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que volta a se reunir na quarta-feira, se comprometeu definitivamente em sua última ata com uma diminuição no ritmo de corte da taxa Selic? O mercado irá reagir negativamente se fizer mais uma baixa de 0,50 ponto na taxa ao invés do 0,25 ponto " precificado " nos contratos futuros de juros? A credibilidade do BC será abalada por isso?

A credibilidade do BC, fator essencial para a eficiência do regime de metas inflacionárias, é questionada em dois casos: quando o esforço monetário não é suficiente para trazer o IPCA ao alvo explícito ou quando, por excesso de zelo e calibragem, sacrifica crescimento econômico e produz taxa efetiva abaixo da meta central. Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed), foi acusado no começo de sua gestão, em fevereiro, do primeiro mal. Agora está sendo do segundo. O BC brasileiro sofre hoje dos mesmos ataques dirigidas ao Fed: a mão monetário foi exageradamente pesada. E as críticas ao Copom não procedem de " desenvolvimentistas " . Vêm, embaladas em excelente argumentação ortodoxa, de setores acima de qualquer suspeita.

Depois das manifestações em favor de mais uma baixa de 0,50 ponto das consultorias AC Pastore e Tendências, e do Banco Santander Banespa, na sexta-feira foi a vez de mais um peso pesado, o Crédit Suisse (CS), instituição que no começo do ano cedeu o seu economista-chefe, Rodrigo Azevedo, para a diretoria de Política Monetária do BC.

Divulgada a última ata do Copom, o CS alterou de 0,50 ponto para 0,25 ponto a sua expectativa de redução da Selic no próximo dia 30. Na sexta-feira, a instituições retomou a previsão original de corte de 0,50 ponto, com a taxa recuando de 14,75% para 14,25%. O CS prevê, depois desse, mais dois cortes de 0,25 ponto até o fim do ano. Com isso, a Selic fecharia 2006 em 13,75%. A mediana do Focus estima juro de 14% em dezembro. Se inegavelmente a ata sinalizou a possibilidade de desaceleração do desaperto monetário, o balanço de riscos entre uma reunião e outra melhorou tanto que o sinal perdeu sentido.

Como a inclusão do " maior " ao " parcimônia " não representa um compromisso indissolúvel - as atas visam a definir uma direção, mas não substituem a reunião posterior em si -, o BC pode manter o compasso anterior. " Caso optasse por um corte de 50 pontos-base, o Banco Central surpreenderia a maior parte dos participantes do mercado. Essa surpresa não agregaria maior incerteza sobre a atuação da autoridade monetária pois o balanço de riscos para a inflação não seria afetado significativamente " , dizem os economistas do CS. Por isso, a reação do mercado não seria negativa. Pelo contrário, como se trata de um ajuste do seu foco a novos acontecimentos relevantes, o BC iria melhorar a sua credibilidade.

Mais do que o " maior parcimônia " , o ponto central das últimas atas - ao qual o Copom sempre se refere para justificar um redobro das cautelas - é a referência ao tempo ainda curto para se observar todo o impacto do corte de 5 pontos percentuais já feito na Selic desde setembro. A respeito, o CS tem opinião diferente da maioria dos seus pares: " O fraco desempenho da economia no segundo e no terceiro trimestres de 2006 pode ser um sinal de que os cortes de juros têm um papel menos importante na determinação da inflação do que antevisto pela autoridade monetária " .

Além da reunião do Copom, a semana terá como destaques a divulgação da ata da reunião de política monetária do Fed do dia 8 - a que interrompeu o aperto monetário -, e o anúncio dos PIB do segundo trimestre dos EUA e do Brasil. Os analistas esperam que os eventos americanos consigam dissipar as dúvidas sobre o grau de desaquecimento da economia. Na sexta-feira, predominou a cautela. O dólar fechou em alta de 0,14%, cotado a R$ 2,1570. Na semana passada, acumulou, após quatro altas seguidas, valorização de 0,51%. O risco-país deu um salto de 6,5% na semana, de 215 para 229 pontos-base.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)


Notícias Relacionadas

Ver mais notícias em Mercado











Dólar (21/08/08 - 16:48)
 CompraVenda
Comercial1,60901,6110
Turismo1,58001,7300
Paralelo1,70001,8000
21/08/08 * 16:48 * 1,611

Euro (21/08/08 - 01:37)
Dólar1,48811,4883
Real
Turismo2,35002,5800
Outros indicadores
Selic12,92
TR0,2505
TJLP6,25
CDB 3013,07
Ouro-g44,500
IGP-M1,76
Fonte dos indicadores: CMA



Newsletter gratuita
 
Receba grátis as principais notícias por e-mail:

Nome:
E-mail:
* Você receberá informações sobre novidades e campanhas do Valor e de seus parceiros por email e/ou SMS.
 
Managed by
Permission

Copyright Valor Econômico S.A. Todos os direitos reservados.

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Valor Econômico S.A.

Publicidade