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São Paulo, 29 de agosto de 2008

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Análise: BC amplia compra direta de dólares

Valor Econômico
31/08/2006 08:59

SÃO PAULO - O Banco Central (BC) intensificou ontem suas compras de dólares no mercado à vista depois que dados sobre o crescimento dos EUA afastaram o temor de pouso brusco e tornaram mais sedutoras as aplicações em países emergentes. O PIB americano do segundo trimestre mostrou expansão de 2,9%, levemente abaixo da expectativa média de alta de 3%. Trata-se de queda significativa frente ao crescimento registrado no primeiro trimestre, de 5,6%, mas não evidenciou uma desaceleração capaz de sinalizar uma recessão em 2007. A inflação implícita no PIB, em queda de 2,9% para 2,8% ao ano, também ajudou a melhorar o humor dos investidores. Os juros dos treasuries de 10 anos cederam de 4,80% para 4,76%, ampliando a perspectiva de que em algum momento do ano que vem o Federal Reserve (Fed) terá de iniciar um curva de baixa dos juros básicos. O fato de os juros longos estarem abaixo da taxa básica de 5,25% revela a alta credibilidade da gestão Ben Bernanke.

Nenhum segmento contrariou a tendência positiva vinda de Wall Street. A Bovespa fechou em alta de 0,02%, o risco-país caiu três pontos (de 226 para 223 pontos-base), os juros cederam em bloco no mercado futuro da BM & F e o dólar só encerrou o dia estável em R$ 2,1380 graças a leilão de compra vigoroso feito pelo BC. Na intervenção, aceitou 12 propostas formuladas por 15 bancos e enxugou do mercado cerca de US$ 600 milhões. Desde o final da primeira quinzena de agosto não fazia atuação tão expressiva. Enquanto nos primeiros quinze dias do mês, o volume oficial de compras atingiu US$ 3,29 bilhões, as reservas internacionais subiram do dia 16 para a última terça-feira apenas US$ 1,47 bilhão.





Além do aumento do fluxo externo decorrente do alívio proporcionado pela alta do PIB americano, o BC absorveu as ofertas dos " vendidos " em dólar futuro destinadas a deprimir a cotação oficial. O vencimento do contrato irá ocorrer hoje e a sua liquidação será feita pela taxa oficial, formada preferencialmente durante o período matinal. O BC pode ter comprado muito ontem para não ter de agir hoje. Leilões em dia de vencimento de dólar futuro sempre irritam contendores.

No pregão de juros futuros da BM & F aconteceu uma correria de última hora visando a travar riscos no caso de o Copom optar por insistir em declínio de 0,50 ponto da taxa Selic. O volume de negócios saltou 55,8%, para quase 1,3 milhão de contratos, o equivalente a giro financeiro de R$ 121 bilhões. Só o vencimento referente a outubro, o que tinha a missão de refletir as apostas para o Copom de ontem, negociou sozinho 570 mil contratos. O CDI previsto para a virada do ano cedeu 0,01 ponto, para 14,18%. A curva de juros ainda continuou refletindo a opinião consensual de que o BC iria respeitar a sinalização de baixa de 0,25 ponto. Mas as operações travaram as duas pontas. A decisão de manter o ritmo de 0,50 ponto não imporá, por isso, perda às instituições. Nos dois últimos dias, cresceram as apostas de que seria difícil ao BC diminuir o ritmo do desaperto em meio aos informes sobre atividade fraca.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)


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