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São Paulo, 7 de agosto de 2008

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Análise: BC pode manter ritmo de baixa do juro

Valor Econômico
22/08/2006 09:12

SÃO PAULO - A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) será realizada na quarta-feira da semana que vem, um dia antes de o IBGE divulgar a evolução do PIB no segundo trimestre do ano. Os dois eventos estão interligados e ocuparam a maior parte do debate travado ontem entre economistas de instituições e três dirigentes do BC.

Periódicas, as reuniões entre o BC e o mercado se destinam a fornecer subsídios à elaboração do Relatório Trimestral de Inflação, uma das peças fundamentais do regime de metas de inflação. Mas, de inflação propriamente dita, pouco se falou no encontro realizado ontem. A atividade econômica aquém das expectativas e a política monetária austera ganharam o foco das atenções.

Passada a onda externa de preocupação, o que mais se discute hoje no mercado é se o BC não errou a mão monetária, se não exagerou demais no aperto e, agora, não terá mais tempo para corrigir o equívoco, criando um constrangimento político sob a forma de um crescimento do PIB abaixo da estimativa oficial de 4%.

Chamou muito a atenção de economistas de bancos presentes à reunião o discurso defensivo utilizado pelos representantes do BC - o presidente Henrique Meirelles e os diretores Rodrigo Azevedo (política monetária) e Afonso Bevilaqua (política econômica) - em relação à atividade econômica. Segundo relatos, o BC admite que o crescimento no segundo trimestre será baixo, mas que a economia já está se expandindo neste terceiro trimestre a taxas mais elevadas.

Pela mediana das previsões do mercado, o PIB crescerá 0,9% no segundo trimestre, ante avanço de 1,4% no primeiro. Mas, nas últimas semanas, em linha com a revisão para baixo na expectativa de crescimento do PIB colhida pelo Boletim Focus, vem aumentando as análises de que o produto virá muito mais baixo que esse 0,9%. Um resultado muito ruim, entre 0,3% e 0,6%, criará um mal-estar político com o BC. Voltarão as críticas de que subiu demais a Selic no ano passado, que manteve o juro em 19,75% por muito tempo - de maio a setembro do ano passado - e que começou a reduzi-lo de forma muito tímida depois disso.

Diante do ruído político produzido pelas críticas, apesar de todo o discurso do BC de que suas ações já visam a inflação de 2007, seria injustificável ao Copom a decisão de diminuir ainda mais o ritmo de corte da Selic, de 0,50 para 0,25 ponto, em sua reunião do dia 30. Embora os diretores presentes ao encontro de ontem não tenham dado nenhuma pista nova sobre a decisão - oficialmente prevalece a sinalização contida na última ata de que a Selic cairá de 14,75% para 14,50% -, os economistas não descartam mais a possibilidade de a taxa recuar a 14,25%. " Senti ontem um tom de arrependimento na sinalização enfática da ata " , diz um dos participantes. Os juros caíram ontem em bloco no mercado futuro da BM & F. O CDI previsto para a virada do ano cedeu de 14,32% para 14,29%. O juro para a virada de 2007 recuou de 14,33% para 14,28%. Fazia muito tempo que o CDI para janeiro de 2008 não ficava abaixo do estimado para janeiro de 2007. O swap de 360 dias caiu de 14,30% para 14,25%, embutindo juro de 9,35% acima da expectativa de IPCA para o mesmo período, de 4,48%.

O dólar caiu ontem 0,65%, cotado a R$ 2,1320, menor cotação desde 11 de maio. O declínio dos juros dos títulos de 10 anos do Tesouro americano amplia a oferta de dólares. Ontem, os T-10 cederam de 4,86% para 4,82%. O BC não consegue segurar a queda do dólar apesar dos leilões vigorosos de compra de moeda que vem realizando. No de ontem aceitou nove propostas pela taxa de R$ 2,1370.

O sinal do BC, dado ontem na reunião com os economistas, foi de que continuará agindo com empenho na ponta de compra. O fato de as reservas internacionais terem chegado a casa dos US$ 70 bilhões na semana passada não inibirá as intervenções. Muito menos o elevado custo fiscal da operação. Ao BC não incomoda receber pelas reservas juro de 5% ao ano enquanto paga, para formá-las, taxa líquida de 12%.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)


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