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São Paulo, 7 de agosto de 2008

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Análise: Mercado melhora à espera de Bernanke

Valor Econômico
25/08/2006 09:17

SÃO PAULO - O setor imobiliário americano persistiu ontem inquietando os mercados financeiros. Depois da queda de 4,1% registrada na véspera nas vendas de casas usadas em julho, ontem foi a vez das unidades novas, cujo declínio, de 4,3%, também superou a expectativa dos analistas. Os grandes investidores temem uma desaceleração econômica dos EUA mais abrupta do que o previsto e se tornam mais arredios a ativos de risco. Apesar da solidez externa da economia brasileira, o país não fica imune a onda vendedora desses ativos. No período da tarde, os mercados exibiram melhora já na expectativa de que, no pronunciamento que fará hoje, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, conseguirá dissipar o medo de uma recessão econômica. " A queda nas vendas de casas nos EUA reacendeu o temor de que o Fed possa ter exagerado na dose dos juros " , diz o economista-chefe da UP Trend, Jason Vieira.

O dólar fechou em leve alta de 0,09%, cotado a R$ 2,1540. Foi a terceira em seguida. Desde terça-feira, a moeda acumula valorização de 1,03%. O risco-país subiu mais três pontos, para 226 pontos-base. A alta dos contratos de juros mais longos negociados no mercado futuro da BM & F afetou o leilão primário de títulos prefixados feito ontem pelo Tesouro Nacional. Como ele se recusa a pagar prêmios elevados, decidiu vender apenas a metade do lote oferecido aos bancos. O Tesouro aceitou se desfazer apenas de 3,01 milhões das LTN e NTN-F postas em leilão, o equivalente a 52% da oferta de 5,8 milhões. Apesar da restrição, foi obrigado a aceitar juros mais altos.





Os contratos curtos reiteraram a expectativa de que o Copom irá, na semana que vem, reduzir à metade o compasso de queda da Selic. Em relatório de sua consultoria, a AC Pastore & Associados, o ex-presidente do Banco Central (BC), Affonso Celso Pastore, contesta a " racionalidade " de uma política monetária que, mesmo diante de números tão positivos sobre o setor externo, planeja diminuir o ritmo de corte do juro básico. Não se trata do exercício de " maior parcimônia " , mas o de " muita parcimônia " . O economista prevê um superávit em conta corrente este ano próximo de US$ 10,5 bilhões, " e cresce muito a probabilidade de que o superávit em 2007 se aproxime de US$ 5 bilhões " .

O que isto representa para a taxa cambial? Com superávits comerciais e nas contas correntes elevados, com a queda já ocorrida na dívida externa em relação ao PIB e nas amortizações de dívida externa em um ano, e dados os elevados níveis das reservas internacionais, os prêmios de risco teriam que declinar. É o que vem acontecendo. Como os capitais são atraídos quando a taxa doméstica de juros excede a taxa internacional acrescida de um prêmio de risco, este quadro associado aos superávits nas contas correntes tende a manter a tendência à forte atração de capitais e à valorização do real. Se o BC reduzir o tamanho do corte da Selic de 0,50 ponto para 0,25 ponto, esse diferencial (taxa doméstica de juros menos a taxa externa acrescida de um prêmio de risco) declinará ainda mais lentamente (ou mesmo poderá elevar-se). Isto, na visão de Pastore, acarretará uma de duas conseqüências: ou o real se valorizará adicionalmente, ou o BC terá que acumular ainda mais reservas.

O governo tem mostrado forte preocupação com a valorização do real, o que é evidenciado pela intensidade das intervenções. " Como o benefício marginal dessa acumulação declina com o tamanho das reservas, e o seu custo marginal é elevado, é questionável que esta combinação de política econômica (taxas de juros mais altas com intervenções maciças no mercado de câmbio) seja a mais racional " , diz. E completa: " Mais racional seria o BC adiar a sua adesão ao grau mais elevado de ? parcimônia ? , continuando a reduzir por mais algum tempo a taxa de juros na mesma velocidade atual. Considerando a velocidade lenta à qual a atividade econômica vem se recuperando, a queda contínua das taxas de inflação correntes, e o nível ainda elevado da taxa real de juros, essa escolha produziria custos menores, sem que a reputação do BC fosse sequer aproximadamente colocada em risco " .

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)


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