Mercados: Após ata do Fed, dólar inverte rumo e cai 0,09%; Ibovespa cede 0,64%
Valor Online
29/08/2006 16:10
SÃO PAULO - Os principais ativos financeiros locais mostram leve melhora após a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), seguindo a recuperação vista no mercado americano. O documento é referente ao encontro do último dia 8, quando a instituição decidiu manter a taxa básica de juros nos Estados Unidos inalterada em 5,25% ao ano, interrompendo assim um ciclo de dois anos de aumentos do custo do dinheiro naquele país.
Às 16h, o Ibovespa reduzia a queda para 0,64%, aos 36.140 pontos. O volume financeiro era de R$ 1,22 bilhão. O dólar inverteu o rumo e mostrava depreciação ante o real, de 0,09%, a R$ 2,1360 na compra e R$ 2,1380 na venda. No pregão de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a taxa do contrato para janeiro de 2008, mais negociado, cedia 0,03 ponto percentual, a 14,25% ao ano, próximo do fechamento.
Em Wall Street, o indicador Dow Jones cedia 0,06% e o índice Standard & Poor´s 500 declinava 0,11%. No segmento de títulos públicos, o treasury de dez anos registrava queda de 0,01 ponto no rendimento ao investidor, a 4,78% anuais.
Na avaliação do responsável por risco e sócio da Principia Capital Management, Marcello Paixão, a ata do Fed admitiu preocupação com a incerteza referente ao mercado imobiliário americano, mas avaliou que a manutenção dos juros naquele momento era uma decisão razoável para aguardar os efeitos dos aumentos passados e avaliar o comportamento futuro do núcleo da inflação. Em geral, a ata indicou preocupação com o nível de atividade e que segue a apreensão com os preços, mas os integrantes do Fed acreditam que o núcleo da inflação ao consumidor tende a ceder nos próximos trimestres, resumiu o especialista.
"Depois de 17 aumentos consecutivos, os membros viram riscos limitados em adiar mais algum aperto que se mostre necessário, desde que as expectativas de inflação permaneçam contidas", diz a ata do Fomc. O documento nota ainda que "o desaquecimento no mercado imobiliário, os efeitos dos preços altos da energia no poder de compra das famílias, o menor ímpeto de consumo e os efeitos do aperto monetário passado devem segurar o crescimento econômico em patamar inferior ao potencial durante os próximos seis trimestres. Projeta-se que o núcleo dos preços ao consumidor recue um pouco no fim deste ano e no próximo, conforme diminuem os efeitos dos preços da energia e de itens importados."
"Mas a preocupação maior com o nível de atividade prossegue e isso não é bom para os mercados", ponderou Paixão.
Antes da ata, o clima nos negócios era afetado negativamente pela piora na confiança do consumidor americano em agosto. Segundo pesquisa do instituto Conference Board, o índice que mede a confiança do consumidor americano ficou em 99,6 pontos em agosto ante os 107 de julho. Muitos analistas esperavam uma leitura igual a 102,7.
(Paula Laier | Valor Online)
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