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Mercados: Após tensão com plano terrorista, bolsa subiu 0,26% e dólar recuou 0,36%

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11/08/2006 07:57

SÃO PAULO - Os principais ativos financeiros locais encerraram a quinta-feira com desempenho positivo. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta, acompanhando a recuperação de Wall Street. O dólar cedeu em relação ao real e os juros futuros caíram também beneficiados pela melhora do cenário externo. Mais cedo, o humor nos pregões foi influenciado negativamente por notícias sobre o desmantelamento de um suposto ataque terrorista pelas autoridades britânicas.

O Ibovespa encerrou aos 37.353 pontos, com alta de 0,26%. O volume financeiro somou R$ 2,25 bilhões. O dólar cedeu 0,36%, para R$ 2,1580 na compra e R$ 2,16 na venda. O giro interbancário somou aproximadamente US$ 1,2 bilhão. Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda declinou 0,37%, a R$ 2,16, com volume de US$ 145,75 milhões. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2008 - mais negociado - caiu 0,03 ponto percentual, a 14,39% anuais.

Na avaliação do diretor da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, o suposto ataque terrorista desmontado pelas autoridades britânicas concentrou as atenções no mercado financeiro ontem. "Os agentes ficam inseguros", disse. Mas, na medida em que o dia foi passando, novas informações e a ausência de registros de incidentes acalmaram os investidores e as bolsas puderam recuperar-se, observou. Em Wall Street, o Dow Jones chegou a cair aos 11.045 pontos, mas fechou com valorização de 0,44%, aos 11.124 pontos.

O especialista cita que, apesar da tensão gerada pela notícia do desmantelamento do plano terrorista, o evento tem um lado positivo. O fato de terem conseguido debelar o ataque antes de que ele fosse confirmado reduz a probabilidade de nova ação logo em seguida, assim como mostra que as autoridades continuam atentas à questão, justificou. Conforme informou o secretário britânico de Assuntos Internos, John Reid, mais de 20 pessoas foram presas em Londres por estarem supostamente ligadas a uma rede terrorista que colocaria em prática o plano de explodir aviões em pleno ar.

O nervosismo no mercado internacional devido à essa notícia também afetou o segmento cambial, fazendo com que a moeda americana abrisse mais forte, disse o gerente de câmbio da corretora Novação, José Roberto Carreira. Contudo, com a recuperação das bolsas nos Estados Unidos e a melhora do segmento acionário paulista, o dólar logo passou a ceder, observou o profissional. O risco Brasil em um nível confortável também ajudou a sustentar a trajetória declinante nas cotações ontem.

A depreciação do dólar foi acentuada com a atuação do BC na ponta de compra do segmento à vista. O fato de a instituição acatar menos propostas deixou novamente o mercado mais seguro para vender, disse o operador da tesouraria de um banco de investimentos em São Paulo, que preferiu não ser identificado. O BC realizou leilão das 15h12 às 15h22, quando adquiriu dólares a R$ 2,1625. De acordo com agentes no mercado, a instituição acatou cinco propostas.

O pregão de juros da BM & F seguiu a mesma dinâmica do segmento de câmbio, sendo contaminado na abertura pela cena internacional nervosa e melhorando com a recuperação do mercado americano. Quando o cenário externo acalmou, as taxas aqui retomaram a normalidade, comentou o chefe da mesa de BM & F da SLW Corretora, Raffi Dokuzian. Os DIs, porém, continuam com as taxas quase inalteradas, sustentando uma tendência de estabilidade, notou.

O aumento do intervalo entre as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deixou essa dinâmica no segmento de juros futuros, em que as "cartas já estão marcadas", explicou Dokuzian. As taxas já têm no preço os próximos cortes na taxa Selic, com os investidores ainda dividido apenas entre um percentual de 14% ou 14,25% anuais no final do ano. "Não sei se tem muito mais espaço para as taxas caírem neste ano", afirmou Dokuzian.

(Paula Laier | Valor Online)


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