Mercados: Bolsa caiu 0,41% e dólar aumentou 0,37% em sexta-feira de ajustes
Valor Online
11/09/2006 07:41
SÃO PAULO - Em pregão de poucos negócios, o mercado doméstico teve na sexta-feira um dia de ajustes tanto na Bolsa de Valores e São Paulo (Bovespa) como no segmento cambial. O feriado local de quinta-feira (Dia da Independência) foi responsável pelo giro fraco e a correção frente às perdas de Nova York enquanto a praça brasileira esteve fechada.
O Ibovespa também sofreu pressão de baixa devido à queda das ações da Petrobras, prejudicada pelo recuo persistente dos preços do petróleo. Assim, o principal índice da bolsa paulista fechou com decréscimo de 0,41%, aos 36.558 pontos, e volume financeiro de R$ 1,367 bilhão. No acumulado da última semana, a queda chegou a 2,07%.
O dólar terminou com alta de 0,37%, a R$ 2,1580 na compra e R$ 2,16 na venda. De acordo com agentes no mercado, o giro interbancário somou cerca de US$ 1 bilhão. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda americana subiu 0,33%, para R$ 2,158, com volume de US$ 647 milhões. Na semana, o dólar acumulou elevação de 0,98%.
No mercado acionário, a incerteza sobre o rumo da economia americana continuou contagiando as operações locais de sexta-feira, mas com poucos negócios. Apesar da valorização em Wall Street no último pregão, os agentes externos continuam bastante preocupados com a inflação persistente e a desaceleração econômica demonstrada por indicadores dos EUA.
Com a eventual piora de perspectivas no cenário econômico americano, os países emergentes sofrem ainda mais com a ausência de capital estrangeiro em seus mercados financeiros. Essa cautela, segundo Flávio Serrano, economista da Lopes Leon Corretora, justifica parte da falta de incentivo entre os investidores domésticos.
Vale lembrar ainda que o preço do petróleo voltou a cair com força na sexta-feira. Com isso, os papéis PN da Petrobras, de maior peso na carteira teórica do Ibovespa (13,086%), apontaram declínio de 2,73%, a segunda maior baixa do dia, e ajudaram o índice a se manter em queda até o final da sessão.
Nem mesmo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi interpretada com otimismo pelos economistas, sinalizando novas baixas da taxa Selic, foi suficiente para reverter o quadro de perdas no segmento acionário. Na praça cambial, o documento também não causou efeito. Com praticamente metade do volume de negócios registrado em dias normais, o dólar comercial resistiu em alta perante o real durante todo o dia.
Apesar do pequeno fluxo de transações, o Banco Central (BC) voltou a comprar dólares no mercado à vista, garantindo que a moeda americana encerrasse com valorização. O BC acatou quatro propostas de quatro instituições, pagando R$ 2,16 por divisa. Para Flávio Serrano, a moeda tem outro motivo para trabalhar com valorização nos próximos dias.
Desde que o Tesouro notificou a ampliação dos prazos de títulos da dívida externa brasileira a serem recomprados, na semana passada, o mercado avalia que serão necessários mais dólares para arcar com essa recompra sem diminuir a condição atual de reservas em dólar. " Com essa decisão do Tesouro, poderão ser usados cerca de US$ 4,8 bilhões das reservas. O mercado imagina que essa quantia deverá ser recomposta com as compras diárias do BC no mercado à vista " , disse.
Já no mercado de juro futuro, a ata do Copom garantiu mais um pregão de baixa para as taxas negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). Os analistas avaliam que o documento deixou aberta a possibilidade de uma nova redução de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do colegiado. Nesse contexto, o DI para janeiro de 2007 caiu 0,03 ponto, a 14,86% anuais. Janeiro de 2008 projetou 13,71% anuais, com baixa de 0,10 ponto. A taxa para o primeiro mês de 2009, por sua vez, declinou 0,10 ponto, para 13,94% anuais.
Conforme a ata divulgada na sexta-feira, embora os integrantes do Copom tenham avaliado que uma redução de apenas 0,25 ponto percentual no juro básico seria respaldada por " diversos fatores " , a decisão de um corte mais ousado, de 0,50 ponto, foi tomada para corresponder às boas perspectivas do BC quanto à trajetória da inflação.
(Bianca Ribeiro | Valor Online)
Notícias Relacionadas