Mercados: Bolsa inverte rumo e cai 0,75% com piora em NY e PIB fraco; dólar sobe 0,14%
Valor Online
31/08/2006 12:55
SÃO PAULO - O mercado brasileiro trabalha sem tendência definida nos segmentos acionário e cambial nesta quinta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta, influenciada pela repercussão positiva à decisão do Copom de cortar 0,5 ponto percentual na taxa Selic, quando o consenso indicava redução de apenas 0,25 ponto. O enfraquecimento dos pregões em Wall Street e dados fracos do PIB brasileiro, porém, pressionaram a inversão do rumo nas operações locais e o Ibovespa agora registra perdas. O dólar tem fraca oscilação, em dia de formação da taxa Ptax mensal.
Por volta das 12h40, o Ibovespa cedia 0,75%, aos 36.040 pontos, após ter subido 0,80%, aos 36.606 pontos, na máxima, pela manhã. A moeda americana sobe 0,14%, a R$ 2,1390 na compra e R$ 2,1410 na venda.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) contrariou a expectativa da maioria dos analistas e reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano. A decisão garantiu o fôlego na abertura da bolsa paulista, mas não foi suficiente para sustentar o tom positivo nos negócios locais. Dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e o enfraquecimento das bolsas em Nova York minaram o humor dos investidores, revertendo a trajetória na Bovespa. O IBGE informou um crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, em relação ao primeiro, abaixo do que muitos analistas estavam esperando.
"A bolsa local estava bem por causa dos juros, mas o PIB fraco e a virada do S & P 500 foram suficientes para azedar o bom-humor, que já não era muito vigoroso", observou o economista-chefe da Fiducia Asset Management, Marcelo Castello Branco. "Segue a preocupação com baixo crescimento, tanto aqui quanto nos Estados Unidos", acrescentou o sócio e responsável por risco da Principia Capital Management, Marcello Paixão. Em Wall Street, o índice Dow Jones cedia 0,11%, aos 11.370 pontos; e o S & P 500 recuava 0,10%, aos 11.302 pontos, minutos atrás.
Os investidores repercutem números de inflação, atividade e confiança nos Estados Unidos. "Os indicadores não vieram mal. Inclusive o núcleo do PCE foi bom, o que traz alívio em relação à inflação", notou Paixão. O PCE, índice relativo aos gastos pessoais com consumo, excluídos alimentos e energia, expandiu-se 0,1% em julho ante junho, quando se esperava um avanço de 0,2%. "Mas o humor no que diz respeito à economia segue ruim", avaliou o profissional. "A questão é queda de crescimento", completou.
Os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos caíram para 316 mil na semana passada, mas muitos investidores esperavam uma baixa para 315 mil. Os pedidos às fábricas naquele país recuaram 0,6% em julho, um pouco menos do que o declínio de 0,9% aguardado por Wall Street. Outro dado que reforça o cenário de desaquecimento econômico é o indicador de atividade da área de Chicago, calculado pela Associação Nacional dos Gerentes de Compras da região, que cedeu para 57,1 pontos em agosto ante os 57,9 em julho.
Na área cambial, as operações são influenciadas pela tradicional "briga" entre comprados e vendidos para a formação da taxa Ptax que será usada na liquidação dos contratos de dólar, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros, para setembro. A taxa Ptax é formada pela média das cotações do dólar apurada pelo BC e ponderada pelo volume de negócios. Na avaliação do gerente da tesouraria do Banco Cruzeiro do Sul, Luiz Paulo Carvalho, o mercado está bastante equilibrado, o que explica essa oscilação próxima da estabilidade nas cotações. "E a compra do BC, ontem, nivelou o excesso de oferta", acrescentou.
(Paula Laier | Valor Online)
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