Mercados: Cena externa favorece melhora na BM & F e juros fecham com pouca oscilação, em leve queda
Valor Online
28/08/2006 16:12
SÃO PAULO - O pregão de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) fechou com as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) ligeiramente desvalorizadas nesta segunda-feira, influenciado pela firmeza no cenário favorável do mercado financeiro como um todo. Na maior parte da jornada, entretanto, os prêmios mostraram valorização, principalmente nos vencimentos mais longos, na contramão do bom humor dos demais ativos locais e de Wall Street. A questão fiscal doméstica e o desaquecimento nos Estados Unidos deram suporte para os ajustes de alta vistos até o meio da tarde.
No término dos negócios, o DI para janeiro de 2007 caiu 0,03 ponto percentual, a 14,21% anuais. Abril do próximo ano marcou 14,18% ao ano, com queda de 0,02 ponto. O vencimento de julho de 2007 indicou 14,20% anuais, com decréscimo de 0,01 ponto. Janeiro de 2008, mais negociado, projetou 14,28% anuais, com recuo de 0,02 ponto. Na máxima, esse contrato marcou 14,37% ao ano. A taxa para janeiro de 2009 caiu 0,01 ponto, para 14,43% anuais. O DI para janeiro de 2010 perdeu 0,06 ponto, a 14,52% ao ano, após ter marcado 14,69% anuais, na máxima.
Até as 16 horas, antes do ajuste final de posições, foram negociados 411,270 mil contratos, equivalentes a R$ 36,043 bilhões (US$ 16,71 bilhões). Na sexta-feira, foram fechados negócios com 596,379 mil ativos. O vencimento de janeiro de 2008 era o mais negociado, com 111,319 mil contratos registrados, equivalente a R$ 9,32 bilhões (US$ 4,32 bilhões). No último pregão, foram negociados 231,584 mil contratos nesse DI.
Na avaliação do gerente de renda fixa do Banco Prosper, Carlos Cintra, existe um risco no horizonte de médio e longo prazo relacionado à questão fiscal. "Estamos em pleno debate eleitoral e o mercado não está vendo nenhuma palavra sobre o assunto", observou. Na última semana, dados do setor fiscal brasileiro voltaram a gerar certa apreensão com a capacidade de o Brasil cumprir a meta de superávit deste ano, por conta da piora dos resultados.
Conforme informou o Banco Central (BC), o setor público atingiu superávit primário de R$ 5,615 bilhões em julho, bem abaixo dos R$ 10,4 bilhões verificados em junho. No acumulado em 12 meses, o superávit primário caiu de 4,52% para 4,33% do PIB. A meta para 2006 é de 4,25%. "Tais números trouxeram de volta a preocupação latente quanto à capacidade desta administração em atingir a meta em 2006", notou o analista do Unibanco, Alexandre Cancherin, em relatório na sexta-feira.
E esse risco se agrava com a perspectiva de "fim da bonança americana", completou Cintra. Desde o final da semana passada, observa-se investidores saindo de posições mais longas no segmento de juros da BM & F. O movimento coincide com a divulgação de dados que sugerem a desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos, tais como os números que mostraram desaquecimento do setor imobiliário, observou o responsável pela área de BM & F da corretora Ativa S.A., Marcelo Porto.
"Embora a tendência siga de queda do juro no curto prazo no Brasil, é difícil prever o que pode acontecer em um prazo muito maior, como 2010", ilustrou.
Segundo Cintra, a recuperação do segmento no meio da tarde esteve relacionada à manutenção do quadro positivo no mercado financeiro como um todo, tanto no ambiente local como em Wall Street. Instantes atrás, o índice acionário americano Dow Jones subia 0,77% e o S & P 500 valorizava-se 0,68%. Nos pregões brasileiros, o Ibovespa avançava 0,85% e o dólar caía 0,74% em relação ao real. Vale notar, entretanto, que apesar da trajetória favorável na bolsa paulista, o volume financeiro era de apenas R$ 1,10 bilhão.
(Paula Laier | Valor Online)
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