Mercados: Cena externa pressiona queda de 2,13% na bolsa; dólar avança 1,06%
Valor Online
11/09/2006 12:29
SÃO PAULO - O clima desfavorável no mercado internacional sustenta a trajetória negativa dos principais ativos financeiros locais, em uma jornada sem muitos indicadores relevantes. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa opera em queda, pressionado pelo recuo expressivo em ações com importante peso em sua composição, como Petrobras e Companhia Vale do Rio Doce. O segmento cambial registra valorização do dólar sobre o real, com os investidores atentos à atuação do Banco Central na ponta de compra do segmento à vista.
Por volta das 12h20, o Ibovespa cedia 2,13%, aos 35.776 pontos. o volume financeiro era de R$ 878 milhões. A moeda americana subia 1,06%, a R$ 2,1810 na compra e R$ 2,1830 na venda.
O mercado local é influenciado nesta segunda-feira pelo "humor azedo" dos pregões internacionais, onde os agentes aguardam pelos eventos previstos para esta semana. "Os investidores estão bastante apreensivos e assumindo posições defensivas para encarar a agenda até sexta-feira", avalia o gestor da Concórdia Corretora de Valores Jorge Alberto Cabral. Entre eles, a inflação ao consumidor dos EUA , no dia 15. E as expectativas em torno dos dados acaba gerando especulações e volatilidade, completa o analista da Ativa S.A. Corretora Guilherme Marins.
Instantes atrás, em Wall Street, o índice acionário Dow Jones cedia 0,29% e o S & P 500 perdia 0,43%.
O analista observa, entretanto, que a bolsa paulista está refletindo um "pessimismo exagerado", principalmente quando comparado ao recuo dos índices acionários americanos, por exemplo. Marins busca encontrar uma explicação para tamanho mau humor na saída de investimentos externos da Bovespa, que somou R$ 1,2 bilhão em agosto. "A saída dos estrangeiros tem pesado na bolsa", avalia o profissional. Nos primeiros cinco dias de setembro, entretanto, o saldo era positivo em R$ 488,8 milhões.
O forte recuo em ações com importante participação na carteira teórica do Ibovespa também influenciavam negativamente o principal índice do segmento acionário brasileiro. As preferenciais da Petrobras, que detêm 13,086%, recuavam 3,98%, a R$ 39,56. Os papéis ON da estatal, que respondem por 2,23%, declinavam 4,23%, a R$ 43,40. As ações PNA da Vale, cuja participação é de 11,058%, perdiam 4,18%, a R$ 39,17. E as ON da mineradora, com uma fatia de 2,517, caíam 3,99%, a R$ 44,75. Tais ações sofrem mais porque são bastante líquidas, justificou Marins.
Na área cambial, além da influência do pessimismo externo e da expectativa pelos indicadores americanos previstos para a semana, os negócios também refletem a certeza cada vez maior entre os investidores de que o BC está preocupado com o nível da taxa de câmbio, por conta dos reflexos sobre a economia brasileira, avalia o gestor da Concórdia Corretora de Valores. Se o dólar está baixo, começa a ser vantajoso ao consumidor adquirir produtos importados, o que enfraquece a produção nacional e, consequentemente, o crescimento econômico, resumiu Cabral.
Para o gestor, as preocupações continuam as mesmas das últimas duas semanas e estão relacionadas às incertezas quanto ao crescimento da economia americana e à política monetária dos Estados Unidos. "Ainda existem dúvidas de que o Federal Reserve (Fed) realmente irá parar de elevar os juros naquele", disse, observando muitos investidores acreditando que a instituição irá retomar processo de alta no final do ano início do ano. Houve um alívio quanto às expectativas de aumentos nas próximas duas reuniões do Fed, mas essa chance não foi excluída por completo, explicou.
(Paula Laier | Valor Online)
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