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São Paulo, 28 de agosto de 2008

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Mercados: Cena política e Petrobras sustentam queda de 1,9% do Ibovespa, no menor nível desde julho

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20/09/2006 17:46

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) descolou de Wall Street e fechou no vermelho novamente nesta quarta-feira, pressionada por uma conjunção de eventos desfavoráveis. A esperada manutenção do juro nos Estados Unidos e a alta das bolsas em Nova York não foram capazes de atenuar o nervosismo dos agentes financeiros com o cenário político e a pressão negativa pela desvalorização das ações da Petrobras, afetadas por nova queda nas cotações do petróleo.

No término dos negócios, o Ibovespa caiu 1,92%, aos 35.196 pontos, no menor patamar desde o dia 18 de julho, quando fechou aos 35.130 pontos. Ao longo da sessão, o principal índice do segmento acionário local oscilou da mínima de 34.927 pontos na mínima e 36.069 pontos na máxima. O volume financeiro somou R$ 2,26 bilhões.

O clima mais tenso no âmbito político, devido aos desdobramentos do escândalo sobre a compra de um dossiê por petistas contra o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, afetou o humor dos investidores nesta sessão. Ao longo da jornada, operadores disseram que circularam rumores sobre pesquisas indicando segundo turno nas eleições presidenciais de outubro. "E o mercado não trabalhava com um cenário de disputa mais acirrada" observou economista-chefe da Mellon Global Investments Brasil, Solange Srour.

Além disso, acrescentou o sócio-diretor do Banco Modal, Alexandre Póvoa, os investidores sabem que o país "continua" depois das eleições no dia 1º e, como têm consciência de que nível de prêmio dos ativos locais não é muito alto (com exceção dos juros), podem exigir um retorno maior para entrar no mercado se vislumbrarem problemas para o segundo mandato.

A bolsa paulista ainda foi afetada pela queda expressiva nas ações da Petrobras, por conta de nova baixa nos preços dos contratos de petróleo no mercado internacional, abaixo dos US$ 61 em Nova York. A preferencial da estatal brasileira, cuja fatia no Ibovespa alcança 13,082%, caiu 2,86%, para R$ 39,67. A ação ON, que responde por 2,23% na composição do índice, recuou 3,08%, para R$ 42,15. Em Nova York, o contrato de WTI para outubro caiu US$ 1,20, para US$ 60,46, no menor preço desde novembro de 2005.

Tais eventos acabaram ofuscando a confirmação de estabilidade do juro americano em 5,25% ao ano pelo Federal Reserve, como esperava a maioria dos analistas financeiros. De acordo com Póvoa, o comunicado divulgado com a decisão foi bastante parecido com a nota da reunião anterior, mas teve mudanças sutis. Entre elas, a parte que cita o desaquecimento do setor imobiliário demonstra nítida preocupação com a atividade. "Mas, ao comentar a inflação, parece que a apreensão é um pouco menor por conta dos preços de energia", citou ele.

Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam em alta, com os agentes financeiros aliviados pela decisão do Fed em linha com o esperado, mas também analisando resultados corporativos, como o da Oracle. O indicador Dow Jones subiu 0,63%, o eletrônico Nasdaq avançou 1,37% e o S & P 500 ganhou 0,52%. Nem a trajetória positiva em Nova York desde a abertura teve força para impulsionar uma melhora nas operações brasileiras. "Hoje, o diferencial foi o fator politico local", constatou o sócio da Principia Capital Management, Marcello Paixão.

(Paula Laier | Valor Online)


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