Mercados: Cenário de desaceleração econômica global contribui para ajuste de alta nos juros na BM & F
Valor Online
28/08/2006 12:55
SÃO PAULO - A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) mostra avanço na maioria dos juros dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) nesta segunda-feira, principalmente nos vencimentos mais longos. O movimento reflete uma correção diante do cenário menos favorável no que diz respeito ao crescimento da economia global. Os investidores também aguardam uma bateria de eventos desta semana, tanto na cena local como externa, que pode influenciar a leitura sobre rumo da politica monetária.
Por volta das 12h50, o DI para janeiro de 2007 indicava estabilidade, a 14,24% ao ano. Julho projetava 14,22% ao ano, com avanço de 0,01 ponto percentual. Outubro de 2007 indicava 14,30% ao ano, com alta de 0,03 ponto. O vencimento de janeiro de 2008 indicava 14,34% anuais, com acréscimo de 0,04 ponto. O contrato para janeiro de 2010 subia 0,08 ponto, a 14,66% ao ano.
De acordo com o gestor da Máxima Asset Management, Renato Motta, desde o final da semana passada se observa esse movimento de saída na curva longa de juros. Para o profissional, o comportamento das taxas pode refletir uma antecipação dos investidores por conta de um cenário de desaquecimento global, o que poderia diminuir a liquidez internacional e reduzir o fluxo de investimentos para emergentes.
Diante do cenário favorável no mercado externo hoje, Motta classifica a alta nas taxas mais como uma correção do que uma mudança de tendência ou preocupação com desaceleração econômica. Em Wall Street, o índice acionário Dow Jones subia 0,49% e o S & P 500 valorizava-se 0,42%.
Muitos investidores entraram na curva longa influenciados pela percepção de que o cenário econômico internacional estava muito bom e continuaria nessa direção. "Houve um exagero no otimismo e, agora, eles estão refazendo posições, reduzindo a exposição nesses contratos", nota. Em relação aos DIs mais curtos, Motta observa que segue a aposta majoritária para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic nesta semana.
O mercado financeiro também está atento à série de indicadores agendados para até sexta-feira. Na cena local, os destaques são a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic e o desempenho do PIB nacional. No quadro internacional, as atenções devem ficar sobre indicadores de atividade - setor manufatureiro, PIB e mercado de trabalho - e a ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco centra dos EUA).
(Paula Laier | Valor Online)
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