Mercados: Com desconforto político, dólar sobe 0,64% e fecha a R$ 2,1780, no maior valor do mês
Valor Online
20/09/2006 17:15
SÃO PAULO - A cena política dominou as atenções no mercado cambial, dando suporte para a apreciação do dólar sobre o real pelo segundo dia consecutivo. Nem mesmo a manutenção do juro nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) e o cenário positivo nas bolsas em Wall Street foram suficientes para atenuar o desconforto dos agentes financeiros com os desdobramentos do escândalo envolvendo petistas próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e rumores de chances de segundo turno nas eleições presidenciais.
Nesse contexto, a moeda americana subiu 0,64%, a R$ 2,1760 na compra e R$ 2,1780 na venda - igual ao preço registrado no fechamento do dia 8 de agosto e maior valor desde o dia 7 de agosto, quando registrou R$ 2,1860. De acordo com informações de operadores, o giro interbancário somou aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a divisa marcou R$ 2,177, com alta de 0,62% e volume de US$ 355,25 milhões.
O rumo do escândalo sobre a compra de um dossiê por petistas contra o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, e rumores sobre a divulgação de pesquisas indicando segundo turno na eleição presidencial de outubro incomodaram o mercado financeiro nesta quarta-feira. Os pregões brasileiros sofreram muito com as notícias do front político nesta jornada, distanciando-se do cenário internacional, observou a economista-chefe da Mellon Global Investments Brasil, Solange Srour, citando rumores no mercado sobre a possibilidade de segundo turno.
"O mercado não trabalhava com um cenário de disputa mais acirrada nas eleições presidenciais", explicou a especialista.
Diante disso, o comportamento positivo nos mercados internacionais e a confirmação das expectativas quanto à decisão do banco central dos EUA sobre o juro primário americano quase não tiveram efeito sobre o humor local. Na opinião da economista, o comunicado divulgado com a decisão de manter a taxa em 5,25% ao ano foi bastante parecido com a nota da reunião anterior, mantendo em aberto o espaço para eventuais novas altas na taxa de juros.
Agentes no mercado também citam a continuidade de pressão sobre ativos de emergentes por conta do cenário de desaceleração da economia global e a preocupação com o efeito disso sobre as commodities, por exemplo, principal base da pauta de exportação de muitos países dessa categoria, inclusive o Brasil. "O desaquecimento ainda preocupa", disse o gerente de câmbio do Banco Rendimento, Hélio Ozaki, que também creditou ao cenário político a piora do segmento cambial.
O Banco Central (BC) realizou leilão de compra no segmento à vista das 15h29 às 15h39, quando adquiriu dólares a R$ 2,1725. De acordo com agentes no mercado, a instituição acatou quatro propostas de quatro bancos, de um total de 14 propostas de 14 bancos. A taxa mínima oferecida foi de R$ 2,1700 e o valor máximo alcançou R$ 2,2,1750. O preço médio das ofertas ficou em R$ 2,1730.
(Paula Laier | Valor Online)
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