Mercados: Dados de imóveis dos EUA pressionam queda de 2,59% na bolsa; dólar recua 0,04%
Valor Online
23/08/2006 12:24
SÃO PAULO - O mercado financeiro local trabalha com os segmentos cambial e acionário em trajetórias divergentes nesta tarde, com os investidores repercutindo dados do setor imobiliário dos Estados Unidos. A queda acima do esperado na revenda de imóveis naquele país minou o humor nos pregões em Wall Street, pesando negativamente sobre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), uma vez que sugerem desaceleração econômica. Embora favoreça o cenário de fim do aperto monetário americano, contribuindo com a depreciação do dólar, a piora do segmento acionário mantinha a divisa quase estável.
Por volta das 12h15, o Ibovespa cedia 2,59%, aos 35.726 pontos. O volume financeiro era de R$ 991 milhões. O dólar era transacionado a R$ 2,1350 na compra e R$ 2,1370 na venda, com declínio de 0,04%.
Conforme dados divulgados hoje pela Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos Estados Unidos, a revenda de moradias naquele país caiu 4,1% em julho, passando de uma taxa ajustada anualmente de 6,6 milhões em junho para 6,33 milhões de unidades no mês seguinte. Trata-se do menor nível desde janeiro de 2004. Muitos economistas aguardavam uma leitura de 6,55 milhões a 6,56 milhões de imóveis residenciais. A notícia reforçou as preocupações com o ritmo de desaquecimento daquela economia, pressionando a baixa dos principais índices acionários em Wall Street.
Minutos atrás, o Dow Jones cedia 0,45% e o S & P 500 perdia 0,48%.
"A grande dúvida agora é sobre a velocidade do desaquecimento da economia dos EUA. E o número de hoje mostra uma velocidade alta, o que pode trazer um cenário de desaceleração ruim", avaliou o economista da corretora Ativa S.A., Arthur Carvalho. Vale lembrar que a economia americana é fortemente alavancada em cima do valor dos imóveis - hipoteca e empréstimos com garantia ligada à casa. Quando os preços dos imóveis caem, o americano consome menos porque o valor do empréstimo que ele contrata varia de acordo com o do imóvel usado como garantia.
No mercado de câmbio, entretanto, o indicador muda pouca coisa, uma vez que sustenta o cenário favorável ao fim do ciclo de alta dos juros. A piora significativa na bolsa paulista, entretanto, respingou no comportamento do dólar em relação ao real. De acordo com o gerente de câmbio da corretora Novação, José Roberto Carreira, diante do quadro negativo no segmento acionário, alguns investidores fogem para outros ativos, entre eles, o dólar, o que gera uma pressão compradora no segmento cambial e limita a queda nas cotações.
(Paula Laier | Valor Online)
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