Mercados: Dólar retoma alta e fecha a R$ 2,2210 com realocação de posições e ruído político
Valor Online
25/09/2006 17:02
SÃO PAULO - Após a pausa no último pregão, o dólar comercial voltou a se valorizar sobre o real nesta segunda-feira. De um modo geral, as operações seguiram influenciadas pela diminuição na exposição em moeda brasileira, realocação de posições dos bancos - saindo da ponta vendedora e indo para a de compra - e a cena política ainda inspirando cautela. Nem mesmo a recuperação em Wall Street, que beneficiou o segmento acionário local, ou mais um resultado positivo da balança comercial nacional foram suficientes para impedir a apreciação nas cotações.
No fechamento, a divisa americana indicou alta de 0,48%, a R$ 2,2190 na compra e R$ 2,2210 na venda. Ao longo do dia, o dólar oscilou da mínima de R$ 2,1980 (-0,54%) à máxima de R$ 2,2370 (+1,22%). De acordo com agentes no mercado, o giro interbancário somou aproximadamente US$ 1,7 bilhão. Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda subiu 0,59%, a R$ 2,219, com volume igual a US$ 354,5 milhões.
Segundo o estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o segmento cambial doméstico é um dos mercados com melhores fundamentos, vide mais um resultado positivo de balança comercial, o que levou muitos investidores a assumirem posições. Desse modo, uma reversão de cenário gera um desmonte de posições maior também, explicou. E a saída de estrangeiros por conta de uma maior aversão a risco acaba influenciando o mesmo movimento entre os agentes locais, acrescentou.
E os investidores locais ainda são afetados pelo ruído político, que, embora não seja gerador de tendência, adiciona volatilidade e conservadorismo nas operações. Agentes no mercado citaram como principal apreensão o risco de desgaste nas relações partidárias com um eventual segundo turno nas eleições presidenciais, que poderia dificultar a governabilidade na próxima gestão.
O gerente de câmbio da corretora Novação, José Roberto Carreira, observou um mercado ainda "assustado" por um conjunto de eventos desfavoráveis envolvendo vários emergentes, o que eleva a aversão em relação a ativos desses países, vistos como mais arriscados. "O investidor fica com receio de aplicar em um país emergente", disse. De acordo com o profissional, desde a última semana houve uma troca de posições dos bancos, que reduziram sua parcela na ponta de venda e elevaram a fatia na de compra.
O operador da corretora Didier Levy, Júlio Cesar Vogeler, cita ainda o vencimento mensal da taxa Ptax na sexta-feira, como mais um ingrediente de volatilidade nas operações. "Acredito que será a tônica da semana", disse o profissional. A taxa - média das cotações do dólar apurada pelo Banco Central e ponderada pelo volume de negócios - será usada na liquidação de contratos indexados ao dólar negociados na BM & F.
Após o fechamento, às 17 horas, o Banco Central realiza pesquisa de demanda com dealers no mercado de câmbio para novo leilão de swap reverso amanhã. As características da oferta de swap cambial reverso serão conhecidas por meio de comunicado a ser divulgado a partir das 18h30 de hoje. O objetivo da operação seria a rolagem do vencimento do dia 2 de outubro, de US$ 1,6 bilhão.
A autoridade monetária nacional voltou a não realizar leilão de compra no segmento à vista nesta sessão.
(Paula Laier | Valor Online)
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