Mercados: Expectativa de fim do aperto monetário nos EUA contribuiu para desempenho de ativos locais
Valor Online
18/09/2006 07:50
SÃO PAULO - Indicadores de inflação e atividade dos Estados Unidos favoráveis ao fim do aperto monetário naquele país trouxeram alívio aos investidores e deram suporte para o desempenho positivo dos principais ativos financeiros locais na última sexta-feira. O dólar desvalorizou-se em relação ao real e os juros futuros terminaram em baixa. Mesmo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), pressionada na maior parte da sessão pela queda nas preferenciais da Petrobras, reagiu no final do pregão e fechou em alta, ajudada pelos ganhos em Wall Street.
O Ibovespa subiu 0,04%, aos 36.169 pontos, após cair 0,76%, aos 35.878 pontos na mínima. O volume financeiro somou R$ 1,7 bilhão. Na semana, o Ibovespa perdeu 1,06%. O dólar caiu 0,55%, vendido a R$ 2,1520. O giro interbancário somou US$ 1,45 bilhão. Na semana, o divisa cedeu 0,37%. Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda recuou 0,53%, para R$ 2,1520, com volume de US$ 330 milhões. A queda na semana foi de 0,28%. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2008 declinou 0,08 ponto percentual, a 13,62% anuais.
O mercado local mostrou bom humor na primeira etapa dos negócios de sexta-feira, com os agentes financeiro repercutindo indicadores americanos favoráveis ao fim do aperto monetário nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em agosto, dentro das estimativas dos analistas. O núcleo do indicador - que exclui alimentos e energia - também correspondeu às projeções dos economistas e avançou 0,2% no mês passado.
A convicção de fim do aperto monetário nos EUA foi reforçada pelo comportamento mais fraco da produção industrial naquele país. O indicador que mede tal desempenho caiu 0,1% em agosto, quando se esperava aumento de 0,2%. Outra notícia positiva foi a melhora na confiança do consumidor americano apurada pela Universidade de Michigan. O índice que mede esse sentimento ficou em 84,4 pontos em setembro ante os 82 de agosto.
Uma vez que os indicadores de inflação vieram em linha com as projeções e os números sobre a atividade mostraram certa fraqueza, consolidou-se a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) não eleve o juro no dia 20, avaliou o economista-chefe do Deustche Bank no Brasil, José Carlos Faria. Já havia uma tendência neste sentido no mercado, mas ainda não era algo muito claro, acrescentou.
Na análise do economista da corretora Liquidez, Marcelo Voss, "o reflexo nos emergentes, Brasil inclusive, só não foi maior pela nova queda nos preços de commodities, como petróleo e cobre, o que causou impacto negativo nas empresas petrolíferas e mineradoras". Em Nova York, após recuar na maior parte do dia, o petróleo encerrou com elevação de US$ 0,11, a US$ 63,33 no contrato de WTI para outubro. Em Londres, porém, o Brent para novembro diminuiu US$ 0,21, também a US$ 63,33.
No caso da bolsa paulista, o impacto foi sobre as duas principais ações do Ibovespa: Petrobras e Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que respondem por quase 30% da composição do índice e pressionaram o desempenho negativo do pregão por boa parte da sessão. No fechamento, a redução das perdas nos preços do petróleo também ajudou a diminuir o recuo das ações da estatal. A preferencial encerrou com queda de 0,70%, a R$ 39,25; e a ON recuou 1,42%, a R$ 42,80.
No caso da Vale, o papel PNA cedeu 0,55%, a R$ 39,09; e o ON declinou 0,22%, a R$ 45. Além do comportamento das commodities, vale lembrar que as ações da Petrobras e da Vale estão entre as séries mais líquidas do vencimento de opções que ocorre nesta segunda-feira na Bovespa, o que também explica a forte volatilidade nesses papéis.
Na sexta-feira, o Banco Central (BC) realizou leilão de compra no segmento à vista das 12h14 às 12h24, quando adquiriu dólares a R$ 2,1551. De acordo com agentes no mercado, a instituição acatou nove propostas de sete bancos, de um total de 16 propostas de 14 bancos. A taxa mínima oferecida foi de R$ 2,1530 e o valor máxima alcançou R$ 2,1560. O preço médio das ofertas ficou em R$ 2,1550.
No segmento de DI, o economista-chefe da Fiducia Asset Management, Marcelo Castello Branco, acrescentou que a queda nas taxas foi reforçada pelo movimento tranqüilo no mercado externo, mas também pelas declarações positivas do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, no dia anterior, sobre o país alcançar a meta de superávit primário neste ano. Tal cenário, aliado aos resultados benignos dos indicadores de inflação, deixa aberta a possibilidade de novo corte de 0,5 ponto na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em outubro, avaliou.
(Paula Laier | Valor Online)
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