Mercados: Pessimismo em NY pressiona queda de 1,76% no Ibovespa, que cai abaixo dos 37 mil pontos
Valor Online
06/09/2006 17:42
SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou no vermelho, pressionada pela trajetória negativa dos índices acionários nos Estados Unidos. Indicadores econômicos daquele país provocaram apreensão quanto a riscos de pressão inflacionária, ao mesmo tempo em que o Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) sinalizou desaquecimento em algumas regiões americanas. Tal cenário deu suporte para uma forte realização de lucros em Wall Street, afetando o desempenho local.
O Ibovespa caiu 1,76%, aos 36.709 pontos, após oscilar entre a mínima de 36.721 pontos e a máxima de 37.368 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,71 bilhão.
O mercado brasileiro "sofreu" com o movimento de realização de lucros nas bolsas em Wall Street, disse o economista do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. E o noticiário desfavorável desta jornada foi o pretexto que os investidores precisavam para vender ações e embolsar lucros. Segundo o profissional, os gráficos dos índices nova-iorquinos já apontavam tendência de realização nesta jornada, antes mesmo da abertura, sendo que o dado sobre o aumento no custo unitário de trabalho apenas reforçou esse quadro.
De acordo com o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, os custos do trabalho por unidade naquele país avançaram a um ritmo anual de 4,9% entre abril e junho, acima dos 4,2% estimados originalmente para o período e previstos por muitos analistas. A mesma instituição informou que a produtividade do setor não-agrícola subiu a uma taxa anual de 1,6% no segundo trimestre e não 1,1% como o calculado inicialmente. A notícia pressionou o segmento de títulos públicos americanos.
O treasury de dez anos fechou com alta de 0,02 ponto percentual na remuneração ao investidor, a 4,8% ao ano. A alta na taxa de rendimento foi aliviada com a divulgação do Livro Bege, do Fed, que deu ênfase à desaceleração econômica em algumas regiões dos Estados Unidos. Se por um lado aliviou os temores em relação aos juros, acentuou o declínio nas bolsas por conta da indicação de desaquecimento. E para o Brasil o efeito desse viés de redução do nível de atividade é ainda mais "ameaçador", destacou o economista da Grau Gestão de Ativos, Pedro Paulo Silveira.
A redução de crescimento implica em queda das commodities, desenhando um quadro ruim para países que têm sua pauta de exportação sustentada nesses produtos, como é o caso brasileiro, justificou.
No cenário local, o resultado mais fraco do que o esperado na inflação medida pelo IPCA em agosto animou os investidores quanto às chances de nova queda de 0,50 ponto percentual na taxa Selic. Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, usado para balizar as ações de política monetária do Banco Central) marcou em agosto alta de 0,05%, abaixo da mediana das projeções de analistas financeiros captadas pela última pesquisa de mercado do BC era de um aumento de 0,23%.
Apesar do resultado benigno do principal indicador de inflação doméstica, o pregão paulista continua bastante atrelado ao comportamento de Wall Street e às notícias que repercutem naquele mercado, explicou o chefe da mesa de Bovespa da SLW Corretora, Cesar Alberto Lopes. Afinal, é a definição da taxa básica de juro dos Estados Unidos o que vai determinar a tendência de alocação dos recursos para mercados emergentes, explicou o profissional.
No âmbito corporativo, a nova queda nos preços do petróleo colocou as ações da Petrobras entre as maiores quedas do Ibovespa. A preferencial da estatal, que responde por 13,086% da composição do índice, caiu 2,86%, a R$ 42,36 - a quinta maior queda. A ação ON, que detém 2,23%, perdeu 3,41%, a R$ 46,44. Em Nova York, o barril de petróleo do tipo WTI para outubro recuou US$ 1,10, a US$ 67,50. O contrato de Brent para o mesmo vencimento cedeu US$ 1,16, para US$ 66,93, na City londrina.
As quedas do Ibovespa foram lideradas por Vivo PN, que caiu 4,15%, a R$ 6,23; e Telemar Norte Leste PNA, com baixa 3,69%, a R$ 41,65. No outro extremo, entre as maiores altas: Transmissão Paulista PN subiu 1,93%, a R$ 22,10; Telemig Participações PN avançou 1,09%, a R$ 3,70; e Telesp PN valorizou-se 1,05%, a R$ 49,72.
(Paula Laier | Valor Online)
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