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Fiesp espera que, em seis meses, exportadores possam deixar toda a receita no exterior

Valor Online
31/08/2006 16:38

SÃO PAULO - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) espera que, em seis meses, os exportadores possam manter fora do país 100% de suas receitas com vendas externas. De acordo com a legislação atual, somente 30% dos valores arrecadados lá fora podem permanecer no exterior, sendo que os 70% restantes devem voltar ao Brasil em um prazo máximo de 360 dias. A expectativa da entidade foi anunciada hoje pelo diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, após reunião com o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Paulo Vieira da Cunha.





Segundo Giannetti, a manutenção integral das receitas de exportação no exterior será a principal bandeira da entidade durante o que chamou de "processo de flexibilização da lei cambial", que tem o objetivo prático de promover uma valorização do dólar ante o real. Com a moeda americana valendo menos, os exportadores têm visto suas receitas encolherem. O diretor acredita que um patamar ideal para o dólar seria entre R$ 2,50 e R$ 2,60, valores que, segundo ele, podem levar de seis meses a dois anos para serem atingidos.





Na avaliação do diretor, uma combinação de fatores econômicos é que vai ditar o ritmo de valorização do dólar. A queda nas taxas de juros, por exemplo, poderá diminuir o volume de dólares que entram no Brasil simplesmente para serem aplicados no mercado financeiro. Com menos dólares no mercado, a tendência da moeda é de subir perante o real.





Além disso, Giannetti lembrou que até exportadores brasileiros injetam dólares no mercado, por meio do adiantamento de suas receitas de exportação, a fim de amenizarem as perdas financeiras motivadas pelo câmbio. "Para se ter uma idéia, atualmente há cerca de US$ 10 bilhões oriundos de exportações dentro do Brasil, mas as mercadorias ainda não embarcaram", informou. "É um tiro no pé, mas acontece", completou o diretor.





Até o mês de julho deste ano, os exportadores tinham de trazer de volta ao país, em até 210 dias, 100% de sua receita em moeda estrangeira, por um mecanismo conhecido como cobertura cambial. Em agosto, foi editada a Medida Provisória 315, pela qual a manutenção de 30% das receitas no exterior foi permitida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O órgão, no entanto, tem liberdade total para alterar esse percentual. Para Giannetti, a expectativa é que o CMN conceda os 100% até o início de 2007.

Além da liberação, a MP também promoveu a simplificação e desburocratização de uma série de pontos do contrato de exportação, tornando-o menos oneroso para as empresas. "O BC está dando um exemplo de que é possível mudar, mas queremos mais novas regras", elogiou Giannetti.

Apesar de aprovar as alterações, a Fiesp acredita que ainda há uma série de itens na lei cambial que merecem ser modernizados. Para isso, organizou um grupo de trabalho em conjunto com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o próprio BC. Juntas, as entidades vão identificar "travas" na lei e propor novas mudanças. A expectativa de Gianetti é que novas regras possam ser anunciadas já em setembro.





(Murillo Camarotto | Valor Online)


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