Crédito bancário cresce para R$ 682,9 bilhões em setembro com juro menor e prazos mais longos
Valor Online
24/10/2006 14:02
BRASÍLIA - Juro menor e prazos mais elásticos mantêm a expansão do crédito bancário. Em setembro, o estoque global de empréstimos concedidos pelo sistema financeiro atingiu R$ 682,873 bilhões, com alta de 1,3% em relação a agosto e de 21% em 12 meses.
De acordo com o Banco Central (BC), o estoque de empréstimos das instituições financeiras já representa 33% do Produto Interno Bruto (PIB). O destaque do mês foi o aumento mensal de 2,2% nas operações de crédito a empresas. Cresceu especialmente a média diária de repasses de recursos externos, com alta de 18,4% sobre agosto.
A demanda das famílias também segue crescendo, com o crédito pessoal avançando 1,4% no mês, para R$ 88,42 bilhões. Ainda é o crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) que apresenta maior evolução, de 2,4% sobre o patamar de agosto e de 49,6% em 12 meses. O volume total de empréstimos consignados alcançou R$ 44,4 bilhões em setembro, o equivalente a 52% das carteiras de crédito pessoal dos bancos.
Pelos dados do BC, a taxa média do juro bancário ficou em 41,5% anuais em setembro, a menor desde que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou a trajetória de corte da taxa básica Selic em 12 meses.
Estimulados pela queda do custo, os bancos também ampliam os prazos do crédito. Para pessoas físicas, a média ficou em 347 dias, quase dois meses a mais que a média de dezembro de 2004 (296 dias).
As empresas também ganharam mais tempo para pagar, chegando a 224 dias. De acordo com o BC, são os maiores prazos desde junho de 2000.
No volume total de crédito, 68,2%, ou R$ 465,8 bilhões, são recursos livres de direcionamento, que servem de referência para a apuração do custo do dinheiro repassado ao consumidor. Essa parcela aumentou 23,7% em 12 meses.
Sobressaíram-se as operações de arrendamento mercantil, que somaram R$ 29,8 bilhões em setembro, tendo variação positiva mensal de 2,5% e de 59% em 12 meses.
O crédito direcionado também verificou uma expansão de 1% no mês e de 15,6% em um ano, somando R$ 217,1 bilhões. Segundo o BC, houve influência da alta de 2,4% nos recursos liberados ao crédito rural, e de 1,1% nos financiamentos habitacionais, além do aumento de 0,5% nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Embora tenha recebido consultas para empréstimos num total de R$ 69,3 bilhões, o BNDES desembolsou menos da metade desse valor (R$ 31,1 bilhões) ao setor produtivo entre janeiro e setembro deste ano. O estoque de crédito do banco oficial somava R$ 129,33 bilhões ao final do mês passado.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)
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